Meia de senhora (par)
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2823 (a, b) MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Fabricante de meias)
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Datação: 1816/1833
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Dimensões (cm): Comp. (pé) 25,5 x Alt. (perna) +- 60
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Descrição: Par de meias altas de senhora confeccionado mecânicamente em malha de fio de algodão, de cor branca. A adaptação antropormófica concretiza-se através de uma costura vertical na parte posterior correspondendo à coxa e cano da perna até ao calcanhar; localiza-se uma outra união com alinhamento horizontalizado, entre o peito e a planta do pé.
O topo superior da meia define uma pequena bainha decorada na tecitura por uma dupla listra em posição horizontalizada, e de cor vermelha, em cuja área intermédia se situam elementos losangulares, de abertos e fechados; um pouco abaixo, foi realizado no ponto citado o que se interpreta como 3, o algarismo três, cujo significado se desconhece.
As duas peças encontram-se unidas por um cordel de algodão, lacrado por um selo de chumbo com decoração relevada, o que atesta que as mesmas nunca foram utilizadas apresentando-se tal como foram produzidas originalmente.
A ampliação através de registo fotográfico do selo forneceu-nos duas imagens do maior interesse proporcionando significativa achega à datação da produção mecânica de meias em Portugal, dado que a modelação numa das faces daquele é interpretada como as armas reais constituídas pelo escudo sobre a esfera armilar, o que nos permite saber tratar-se de confecção nacional, cujo período será situável entre o reinado de D. João VI (1816-1826), passando por D.Pedro IV (1826), D. Maria II (1826-1828) até D. Miguel (1828-1833).
A historiadora Teresa Soeiro refere que em Portugal, a elaboração industrial de meias foi vulgarizada desde o século XVIII, a fim de corresponder às exigências do traje masculino e feminino da época, existindo fábricas em Alcobaça, Almada, em Tomar, no Porto e, laborando mais de duas dezenas, em Lisboa, nomeadamente, a Real Fábrica de Sedas.
O investigador Jorge Borges de Macedo divulgou que se realizavam meias em seda, linho, algodão e lã. A fim de proteger a produção nacional foram promulgadosalvarás reais, uns criando isenções, outros proibindo a entrada de meias de seda de cores.
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Origem/Historial: As meias em foco pertenceram à familía da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez, e a presença do selo atesta nunca terem sido usadas.
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Incorporação: Sr. Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz, Colecção Sra. Dª Maria da Purificiação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam, Casa da Ponte, Arcos de Valdevez
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Bibliografia
- MENDONÇA, Maria José - "O Trajo Civil em Portugal". Lisboa: DGAC-Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
- SOEIRO, Teresa. - "As fábricas de tecido do estreito no Porto, segundo o inquérito de 1814". In «Portugalia», Nova Série, Volume XXV, pp.205 a 224.
- MACEDO, Jorge Borge de.- "A situação económica no tempo de Pombal", Lisboa, 3ª edição, 1989, p. 213.