MEIA ALTA (PAR)

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 2822 (a, b) MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Traje
  • Autor: Autor desconhecido (Fabricante de meias)
  • Datação: 1706/1750
  • Dimensões (cm): Comp. (pé) 26 x Alt. (perna) 68
  • Descrição: Par de meias altas confecionado mecânicamente em malha de fio de algodão, de cor branca em que a adaptação antropormófica se concretiza através de uma costura vertical na parte posterior correspondendo à coxa e cano da perna até ao calcanhar; localiza-se uma outra união com alinhamento horizontalizado, entre o peito e a planta do pé; o topo superior da meia define uma pequena bainha decorada na tecitura por uma dupla listra em posição horizontalizada, e de cor vermelha, em cuja área intermédia se situam elementos losangulares, de abertos e fechados; um pouco abaixo, foi realizado no ponto citado o que se interpreta como o número cento e quarenta e quatro (?)(144?), cujo significado se desconhece; a meio do cano presume-se identificar uma intenção ornamental sugestiva de um motivo floral do qual desce um duplo tracejado que se dirige para o pé e para o calcanhar, respetivamente; as duas peças encontram-se unidas por um cordel de algodão, lacrado por um selo de liga de estanho (?) com decoração relevada, o que atesta que as mesmas nunca foram utilizadas apresentando-se tal como foram produzidas originalmente. A ampliação dos registos fotográficos do selo forneceu-nos duas imagens do maior interesse, proporcionando significativa achega à produção mecânica de meias em Portugal, dado que a modelação de uma das faces daquele consiste nas armas reais constituídas pelo escudo o que nos permite saber tratar-se de confecção nacional. A indefinição do símbolo heráldico, parcialmente em falta, não permite uma datação segura mas, será que poderíanos apontar para o período do reinado de D. João V (?) ( 1706 a 1750) ? em que aquele na representação das armas reais ainda não se sobrepunha à esfera armilar que surge no período sequente? A outra face, permite-nos a interpretação de uma torre ou outro edificio, sendo sobrepujada por palavra ilegível. A historiadora Teresa Soeiro refere que em Portugal, a elaboração industrial de meias foi vulgarizada desde o século XVIII, a fim de corresponder às exigências do traje masculino e feminino da época, existindo fábricas em Alcobaça, Almada, em Tomar, no Porto e, laborando mais de duas dezenas, em Lisboa, nomeadamente, a Real Fábrica de Sedas. O investigador Jorge Borges de Macedo divulgou que se realizavam meias em seda, linho, algodão e lã. A fim de proteger a produção nacional foram promulgados alvarás reais, uns criando isenções, outros proibindo a entrada de meias de seda de cores.
  • Origem/Historial: As meias em foco pertenceram à familía da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez e apresentam o selo de chumbo que atesta nunca terem sido usadas.
  • Incorporação: Sr. Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz, Colecção Sra. Dª Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam, Casa da Ponte, Arcos de Valdevez

Bibliografia

  • MENDONÇA, Maria José - "O Trajo Civil em Portugal". Lisboa: DGAC-Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
  • SOEIRO, Teresa. - "As fábricas de tecido do estreito no Porto, segundo o inquérito de 1814". In «Portugalia», Nova Série, Volume XXV, pp.205 a 224.
  • MACEDO, Jorge Borge de.- "A situação económica no tempo de Pombal", Lisboa, 3ª edição, 1989, p. 213.

Multimédia

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