Penteador
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2813 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Confecção têxtil fabril (?))
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Datação: 1890/1910
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Dimensões (cm): Comp. mangas, c. 57 x Alt. costas, c. 89 x Larg. ombros, c. 31
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Descrição: Penteador de senhora, de cor branca, com formato a 3/4 da altura do corpo, confeccionado à máquina, a linha da mesma cor, em tecido de linho, sendo composto por quatro panos dorsais unidos verticalmente entre si através de costuras duplas (?) e por quatro frontais. Na face anterior, compõe-se a abertura da peça de vestuário através de cinco botões de madrepérola – um dos quais presumivelmente posterior -, e respectivas botoeiras, ladeados por duas tiras simétricas entre si, ornamentadas por nervuras transversais e paralelas, e avivados pela aplicação lateral de um entremeio em tecido de cambraia de linho, de desenvolvimento verticalizado, e com motivos bordados de temática vegetalista, e em renda de bilros(?) de caracter geométrico. Um folho em bordado inglês, com ornatos de inspiração fitomórfica e remate de recorte triangular, guarnece toda a peça, envolvendo o decote, formando gola, descendo frontalmente, encobrindo os botões, e definindo-se como bordadura inferior.
As mangas são compridas, lisas no braço e decoradas no antebraço com os elementos encontrados no corpo, mas posicionados transversal e sequencialmente, nomeadamente as nervuras, o entremeio, e o folho, este fazendo desenho reentrante no lado exterior do punho.
O penteador em análise insere algumas áreas engomadas, o que proporcionava rigidez ao tecido, preservando-o dos vincos.
Trata-se de um exemplar de grande qualidade ao nível da confecção, presumindo-se tratar-se de produção fabril. Quanto ao têxtil, galão, entremeio e folho poder-se-á apontar uma origem nacional, atribuível às regiões do Vale-do-Ave e do Porto onde laboravam à época das mais importantes fiações e tecelagens associadas ao algodão e linho do Reino na tipologia de tecidos do largo e do estreito.
A parte dorsal inferior apresenta um dimensionamento correspondente à moda de pequenas almofadas à altura dos rins, numa substituição residual da extinta "tournure".
Glossário|
Botoeira| Casa, ou abertura caseada, que serve para apertar uma peça de vestuário com um botão.
Bordado inglês|Bordado a linha branca sobre tecido delicado da mesma cor, simples ou em relevo, onde predominam recortes e ilhozes, e temáticamente incidente sobre flores, folhas e frutoses, tendo sido muito típico do acabamento da roupa interior feminina europeia, e que se produziu mecanicamente a partir do século XIX.
Engomada| Roupa branca, que se engomou, isto é, que foi submetida ao processo de
humedecer, embeberar em goma e alisar através de passagem a ferro.
Máquina de costura| Surgiu na sequência da participação de inúmeros inventores que trabalharam este objectivo desde 1790, tendo sido o americano Isaac Merrit Singer que considerando alguns dos princípios concebidos por outros, em 1851, patenteou a primeira máquina de costura realmente prática que foi divulgada no Ocidente em meados do século XIX, a que se seguiram outras empresas.
Penteador| Consistia numa espécie de roupão para pentear o cabelo, disponível para ambos os sexos, e que se generalizou entre as damas como vestuário de usar por casa, preferencialmente durante a manhã, pelo que estará associado ao termo "matinée" com que aparece identificado, a título de exemplo, no "Catálogo de Novidades. Inverno de 1910" publicado pelos "Grandes Armazéns do Chiado", de Lisboa.
Texto de Teresa 'Almeida d'Eça|MUSEU DOS BISCAINHOS
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Origem/Historial: O penteador em foco pertenceu à família da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da Casa da Ponte, Arcos de Valdevez, esposa do doador, presumindo-se uma utilização funcional contemporânea do objecto por parte de elementos femininos da família da citada senhora.
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Incorporação: Doação Senhor Dr. António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz| Colecção Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da Casa da Ponte, Arcos de Valdevez.
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Centro de Fabrico: Antiga Região de Entre-Douro-e-Minho (?).
Bibliografia
- ALVES, Jorge Fernandes - "Fiar e Tecer. Uma perspectiva histórica da indústria têxtil a partir do Vale do Ave". Vila Nova de Famalicão: C.M. de V.N. Famalicão, 1999
- CORDEIRO, José Manuel Morais Lopes - "A Indústria Portuense no século XIX", vol. II. Dissertação de Doutoramento: Porto, Junho, 2006
- GUEDES, Maria Natália Correia Guedes - O Trajo Civil em Portugal. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
- KYBALOVÁ, Ludmila; HERBENOVÁ, Ludmila; LAMAROVÁ, Milena - "Encyclopédie illustrée du Costume et de la Mode ",. Paris: Gründ, 1989
- TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005
- JOHNSTON, Lucy; KITE, Marion;PERSSON, Helen. - "Nineteenth-century Fashion Detail", V & A Publishing, 2009.
- IWAGAMI, Miki. - "19th CENTURY" , in "The Collection of the Kyoto Costume Institute, Fashion. A History from the 18th to the 20th Century", Vol. I, Taschen, 2010.