Vestido (?)
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Museu: Museu dos Biscainhos
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Nº de Inventário: 2761 MB
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (Ateliê de Modista (?))
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Datação: 1865/1870
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Dimensões (cm): Comp. manga, cerca de 53 x Alt. costas, cerca de 84 x Larg. ombros, 38
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Descrição: Vestido incompleto pela ausência da respectiva saia (?) ou casaco (?). O exemplar foi confeccionado à máquina de costura e manualmente, em tecido de seda natural de cor preta, sendo estruturado por cinco elementos, dois frontais e três dorsais, costurados entre si.
Define a abertura na face anterior com quatro botões de recorte circular, em metal e revestimento superior a tecido de seda preto, ajustáveis através de aberturas caseadas e com um colchete junto do decote subido e liso.
No lado da frente apresenta um corte em suave "evasée" sendo guarnecido por dupla tira no tecido estrutural de seda, debruada pelo tecido de veludo de seda de cor castanha que, contorna a abertura do pescoço onde nas costas desenha uma ponta, e, na frente, define um duplo bico em volta dos botões, descendo para a barra e continuando lateralmente até às costas, em que sobe verticalmente até à altura da cintura, ponto em que, no corte da peça foi introduzido um estreitamento, a que se segue um abrir em volume correspondente aos quadris. A área em foco, correspondendo ao fundo das costas, é guarnecida por um conjunto de doze botões iguais, seis dos quais aplicados sobre o alinhamento da costura central, dois sobre as duas outras costuras dorsais, - em que os do topo de dispõem no mesmo nível -, e os restantes quatro recaindo dois a dois sobre uma dupla pala verticalizada, simétrica e desenhando dupla ponta para a área central, em tecido de veludo castanho debruado a seda; a unificar as palas, introduziram-se duas tiras - iguais às anteriormente referidas -, que sendo paralelas desenham um ligeiro ângulo voltado para baixo. A debruar a cercadura inferior de todo o corpo da peça, foi aplicado um galão franjado de fio de seda (?).
Apresenta mangas compridas e lisas, avivadas no punho por guarnição da tipologia de tira descrita, desenhando tripla cunha ascendente e enviesada e guarnecida pela aplicação de dois grupos de três botões paralelos e em posicionamento verticalizado.
O interior é forrado a tecido de algodão (?) mercerizado de cor castanha (?).
A ausência da saia dificulta a precisão ao nível da cronologia, dado aquela constituir um elemento definidor do vestuário feminino do século XIX, no entanto, supõe-se que o exemplar corresponderá à moda em que a crinolina evoluiu de um recorte circular para um formato de barra de saia elíptica, criando uma frente lisa e uma área posterior avolumada, o que recai sensivelmente no período de 1863 a 1870.
Servindo como referenciadores, no campo da Imagem/som foram introduzidas cópias de estampas da obra "Fashion Design. 1800-1940" (vide p.f. Bibliografia) atribuídas a 1867 e a 1870, uma estampa de moda da publicação "Godey's Fashion for August 1870", assim como de um retrato presumido - de acordo com informação de herdeiras - da Senhora Dona Maria Guilhermina d'Araújo Cardoso Brito Soares, da Casa da Ponte de Arcos de Valdevez, de onde provém o espécimen em foco, sendo a imagem datável de cerca de 1865. Corresponderá ao período do II Império Francês, (1852 a 1870), em que a Imperatriz Eugénia de Montijo, se projectou como um verdadeiro ícone de moda, apoiada pela imaginação do grande costureiro inglês radicado em França, Charles Frederick Worth, criador , da Alta-Costura, em 1858 e grande implementador do uso da crinolina e da imagem que marcou a silhueta da mulher por um longo período do Oitocentismo.
A peça de indumentária em estudo pertenceu a uma família da nobreza, os antepassados da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam, da supra mencionada Casa, e permite ilustrar o conhecimento entre a sociedade da região, dos ditames da moda feminina predominantemente francesa, à semelhança da capital e da Europa.
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Origem/Historial: O exemplar de traje em estudo pertenceu a uma família da nobreza minhota, os antepassados da Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam da "Casa da Ponte", de Arcos de Valdevez e presume-se a utilização funcional do mesmo no período atribuível à peça.
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Incorporação: Senhor Doutor António Alberto de Magalhães Barros Lançós Cerqueira Queiroz | Colecção Senhora Dona Maria da Purificação de Araújo e Brito Lima da Rocha Aguiam, (Casa da Ponte em Arcos-de-ValedeVez).
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Centro de Fabrico: Presumivelmente antiga região de Entre-Douro-e-Minho
Bibliografia
- KYBALOVÁ, Ludmila; HERBENOVÁ, Ludmila; LAMAROVÁ, Milena - "Encyclopédie illustrée du Costume et de la Mode ",. Paris: Gründ, 1989
- MENDONÇA, Maria José - "O Trajo Civil em Portugal". Lisboa: DGAC-Museu Nacional de Arte Antiga, 1974
- SILVA, Armando; DAMÁSIO, Luis, SILVA, Guilherme - Casas Armoriadas do Concelho de Arcos de Arcos de Valdevez (Subsídio para estudo da nobreza arcoense), Vol. II: Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, 1992
- TEIXEIRA, Madalena Braz; "et allia" - Museu Nacional do Traje. Roteiro. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2005
- TEIXEIRA, Madalena Braz; KRUS, Luís, RODRIGUES, Rui - Traje de Noiva/1800-2000. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2000.
- VAN ROOJEN, Pepin - "Fashion Design. 1800-1940". Amesterdão: "The Pepin Press", 2007
- WILCOX, R. Turner - "La Moda en el vestir". Buenos-Aires: Ediciones Centurión
- JOHNSTON, Lucy; KITE, Marion;PERSSON, Helen. - "Nineteenth-century Fashion Detail", V & A Publishing, 2009.
- IWAGAMI, Miki. - "19th CENTURY" , in "The Collection of the Kyoto Costume Institute, Fashion. A History from the 18th to the 20th Century", Vol. I, Taschen, 2010.