Técnica: Porcelana branca, moldada, com decoração pintada sobre o vidrado a roxo, verde, rosa, amarelo e vermelho ferro
Dimensões (cm): Diâm. 23,4
Descrição: Prato circular, pouco fundo, de aba inclinada e bordo ligeiramente recortado.
Porcelana branca, decorada com esmaltes da "família rosa" pintados sobre o vidrado a roxo, verde, rosa, amarelo e vermelho ferro. Fundo delimitado por cercadura de folhas e bagas, tendo no centro um ramo de flores. Aba decorada com grinalda de flores ondulante, formando laços, sendo um substituído pelo brasão de armas de Seabra e Silva, atribuído a José de Seabra da Silva (1732-1813).
Origem/Historial: Este serviço terá sido mandado fazer por José Seabra da Silva, fidalgo cavaleiro, que foi ministro adjunto do Marquês de Pombal, até cair em desgraça e ser deportado para o Brasil e mais tarde para África. Aí permaneceu até à morte de D. José, sendo depois reabilitado, regressando à vida pública. Conhecem-se peças deste serviço pertencentes a diferentes colecções, mencionadas nos vários autores referenciados na bibliografia e é conhecido no Brasil pela designação de Serviço do Visconde da Baia, por ter sido herdado pelo filho primogénito de José de Seabra da Silva, a quem foi conferido este título em 1776. Há mais dois serviços mandados fazer pelo mesmo, um em 1755, com armas iguais, e outro em 1790 só com as armas de Seabra.
Existem peças deste serviço referenciadas na col. Jorge Veiga do Rio de Janeiro, na col. de António Sapage de Macau, na col. de Michel Etlin de S. Paulo, na col. de Augusto C. de Campos e Sousa, na de E. da Fonseca Brancante de S. Paulo e aparecem peças nos catálogos de leilões da firma Leiria e Nascimento.
Pertenceu à colecção de Manuel Maria Lúcio (V. N. Gaia 1865-1943), que foi pintor amador, discípulo de Artur Loureiro.
Pelo Decreto-Lei 33.271 de 24 de Novembro de 1943 foi acordado entre o Estado e a Mitra do Porto que as peças com valor artístico deixadas por Manuel Maria Lúcio a esta última ficariam a pertencer à Direcção-Geral da Fazenda Pública.
Em 21 de Dezembro de 1943 foi feito um Auto de Escolha, estando presentes o Director do Museu Nacional de Soares dos Reis, Dr. Vasco Valente, o representante da Mitra, cónego Gaspar Joaquim de Freitas e um representante da Direcção-Geral da Fazenda Pública, ficando o Museu como depositário dos bens.
Em 23 de Março de 1944 foi feito o depósito destas peças pela Direcção-Geral da Fazenda Pública no Museu Nacional de Soares dos Reis, através de um Auto de Entrega da Direcção de Finanças do Distrito do Porto, que especificava que, posteriormente e mediante escolha, seriam integradas no fundo do Museu.
Incorporação: Dação em pagamento feita pela Mitra do Porto à Direcção-Geral da Fazenda Pública para ser incorporado no fundo do Museu Nacional de Soares dos Reis
Centro de Fabrico: China
Bibliografia
BRANCANTE, E.F. - O Brasil e a Cerâmica Antiga. S. Paulo: 1981
Caminhos da Porcelana (Cat. Exp.). Lisboa: Fundação Oriente, 1998
CASTRO E SOLLA, Conde de - Ceramica Brazonada. Lisboa: Of. Graf. do "Museu Comercial", 1928
CASTRO, Nuno de - A Porcelana Chinesa e os Brasões do Império. Porto: Livraria Civilização, 1987
Do Neolítico ao Último Imperador. A perspectiva de um coleccionador de Macau (Cat. Exp.). Lisboa: Gov. Macau/IPPAR, 1994
DREYFUS, Jenny - Louça da Aristocracia no Brasil. Rio de Janeiro: Monteiro Soares, 1982
LION-GOLDSCHMUDT, Daisy - Porcelaines de Chine. Compagnies des Indes et Brésil, in Cahiers de la Céramique et des Arts du Feu, nº7. Sèvres: Soc. Amis Mus. Nat. Ce.-Sèvres, 1957
Exposições
Tudo por ordem, com excepções/ All in order, with exceptions