Camarim

  • Museu: Museu Nacional Soares dos Reis
  • Nº de Inventário: 200 Our MNSR
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Autor desconhecido (Desconhecido)
  • Datação: Século 16
  • Técnica: Fundição; cinzelagem e gravação
  • Dimensões (cm): Alt. 73 x Larg. 42,5
  • Descrição: Camarim de assento, aberto, que serviria de proteção a uma relíquia ou a um viril. Função sublinhada pela ranhura para encaixe de um elemento de suporte, observável no centro da base. Realizado em bronze dourado fundido e retocado a cinzel, define-se como uma estrutura arquitetónica, de planta centralizada, que se desenvolve em andares sobrepostos e volumes decrescentes, rematados por uma cruz. Seis leões atlantes, dos quais um já desapareceu, sustentavam toda a estrutura. O andar inferior, mais alto, é de planta hexagonal irregular com ângulos ressaltados. Sobre estes, erguem-se pedestais de secção quadrada onde assentam seis colunas estriadas de capitel compósito que, agrupadas aos pares e conjuntamente com a janela com arco de volta perfeita que surge entre elas, sustentam segmentos de entablamento. Nos espaços situados entre os três grupos de duas colunas, erguem-se três arcos semicirculares moldurados por caneluras e com chave em relevo. A sua ornamentação é feita, do lado exterior do templete, por um renque de óvulos no extradorso e completa-se em remates isolados, fundidos e cinzelados, de várias cabeças de querubins em alternância com pínáculos a acompanhar toda a curvatura do arco. No interior do templete, o arco é decorado no intradorso e no extradorso por diversas rosetas em relevo, aplicadas. A base, moldurada, de rebordo decorado com uma sequência de óvulos relevados, apresenta frisos ornamentados com vários motivos do repertório de grutescos, em relevo sobre fundo pontilhado: mascarões, sereias de duas caudas levantadas, figuras híbridas e cartelas com volutas. As faces maiores apresentam uma composição de figuras masculinas híbridas - meio humanas e meio folhagens espiraladas -, organizada em ambos os lados de uma cartela central com volutas que deveriam ter tido medalhões aplicados, dos quais só um subsiste, de formato oval e ostentando as armas da Ordem de São Bernardo. Sob a base, ao centro e debaixo das cartelas referidas, destacam-se dois apliques mistilíneos decorados com aletas e friso de óvulos, em relevo, sobrepujados por uma cabeça de leão, fundida e cinzelada. Nos dados laterais dos pedestais, integram-se mascarões emoldurados, servindo de enquadramento a sereias de duas caudas levantadas vegetalizadas, representadas nas faces menores; por sua vez, os dados frontais exibem, sobre mísulas e fixadas em edículas de meia concha, as figuras, em meio vulto, do rei David com o seu atributo habitual - a harpa, de Moisés identificado pelas tábuas da lei, e dos santos mártires: São Lourenço representado com a grelha do suplício, Santa Catarina de Alexandria com a espada e uma roda partida, Santa Luzia com o seu atributo tradicional - dois olhos num prato, e Santo Estevão (?) - segurando na mão direita um livro. Idêntica linguagem ornamental de motivos de grutescos surge também nos frisos de cada lanço dos segmentos de entablamento: mascarões de boca aberta da qual saem cornucópias, florões e máscaras femininas. Sobre os cantos dos três entablamentos, na continuação das colunas, estariam colocadas duas esculturas de anjos a todo o vulto e de pé, sobre pedestais cilíndricos, dois dos quais omissos. Do conjunto existente sobressai um anjo que sustenta um escudo onde se representam, incisos, dois dos símbolos da Paixão de Cristo - a escada e a torquês. A meio das duas esculturas de anjos, eleva-se um elemento arquitetónico, a sugerir um "portal" envolvido por largas folhas de acanto nervuradas com arco de volta perfeita. No enfiamento deste, ergue-se por detrás uma pilastra de secção retangular cravada sobre a janela que surge intercolúnios, já anteriormente referida. Esta pilastra sofre uma ligeira curvatura para criar a estrutura dos painéis de uma cúpula. Na frente e verso das pilastras, respectivamente no exterior e interior do templete, fixam-se dois grandes elementos decorativos: uma harpia e um feixe de raios de diferentes comprimentos, flanqueado por duas enormes volutas que conjuntamente com os três arcos vão criar os pontos de apoio e de fixação da estrutura do andar intermédio. Na intersecção dos pontos onde se faz a ligação dos elementos estruturais estão soldados, respectivamente no exterior e no interior da obra, uma cabeça de leão e uma meia figura feminina, fundidos e cinzelados. Este andar intermédio, de planta hexagonal, é constituído por fachadas percorridas por arcaria de largos arcos plenos apoiados em pilares. Todas as esquinas das fachadas apresentam cariátides adossadas. Uma balaustrada pontuada por plintos com urnas circunda todo o perímetro inferior deste andar. O topo por sua vez é encimado, nos extremos, por quatro pedestais com florões, e, no centro, por vasos com arranjo de florões flanqueados por aletas e duas cabeças de querubins. Cobre o andar uma pequena cúpula hemisférica com tambor decorado por friso de óvulos. No seu interior, visualiza-se o fecho pendural com aletas e um florão. Sobre o tambor eleva-se o último andar do tipo templete, de menores proporções e de planta circular, definido por dupla fila de colunas lisas com anel e finas pilastras que suportam a cobertura em cúpula hemisférica moldurada. Esta exibe na base e no topo frisos decorados com motivo contínuo de óvulos. Por cima do friso do topo, a orla da cúpula ostenta um conjunto de remates de máscaras femininas a intercalar com cabeças de querubins. Por sua vez, os sucessivos registos da cúpula apresentam superfícies, ora lisas, ora ornamentadas com motivos de "ferronerie" gravados e em relevo, sobre os quais emergem motivos relevados de ramos de flores, querubins ou então quadrifólios gravados. Remata por um tramo cilíndrico cupulado sobre o qual se ergue uma cruz balaustriforme de configuração latina.
  • Origem/Historial: Aquisição em 1961, realizada através do Fundo João Chagas. Este fundo resultou de uma doação ao Estado feita em 1941 por Maria Teresa Chagas, em memória de seu marido, João Pinheiro Chagas. Consistiu no rendimento líquido de um prédio no Estoril que passaria a ser destinado à aquisição de obras de arte e melhoramentos em benefício do Museu Nacional de Soares dos Reis. Foi comprada a um particular e é proveniente do Norte de Espanha.
  • Incorporação: Aquisição a um particular feita ao abrigo do artigo 597/3 - Rendimento do Fundo João Chagas
  • Centro de Fabrico: Espanha

Bibliografia

  • Cristo Fonte de Esperança. Exposição do Grande Jubileu 2000. Porto: 2000
  • A Arquitetura Imaginária. Pintura, Escultura, Artes Decorativas [Catálogo da exposição, Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 2012/2013], Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012
  • Tesori dal Portogallo. Architetture immaginarie dal medioevo al Barocco. [Catálogo da exposição],Turim, Palazzo Madama, 2014

Exposições

  • Cristo fonte de esperança. Exposição do Grande Jubileu 2000

    • Portugal: Porto, Edifício da Alfândega
    • 17/6/2000 a 17/9/2000
    • Exposição Física
  • A Arquitetura Imaginária. Pintura, Escultura, Artes Decorativas.

    • Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga
    • 1/12/2012 a 30/3/2013
    • Exposição Física
  • Tesori dal Portogallo. Architetture immaginarie dal Medioevo al Barocco, [Catálogo da Exposição], Turim, Palazzo Madama, 2014

    • Turim
    • 7/5/2014 a 28/9/2014
    • Exposição Física

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