Descrição: Parte de um vitral circular polícromo em vidro com estrutura em chumbo.
Representa ao centro o brasão dos Senhores de Cantanhede, emoldurado pelo cordão franciscano disposto em forma de escudo e rematado por uma borla franjada. Rodeia o escudo uma coroa circular na qual se inseriam externamente, formando uma cruz, quatro aletas rectilíneas. Internamente, em remate circular, situam-se oito rosetas de cinco pétalas. Os intervalos entre o escudo e o círculo que o rodeia não apresentam decoração, realçando o brasão. Os espaços laterais são divididos junto à base do escudo, dois triângulos estreitos preenchidos com vidro liso, da mesma cor e tonalidade mais clara (Alarcão, 1966).
Apresenta o brasão de armas de D. Fernando de Meneses, Senhor de Cantanhede, 3º neto dos fundadores do Convento de Santa Clara de Vila do Conde (D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins), onde pertenceu este vitral. Parente mais chegado destes por sua avó, D. Maria de Albuquerque, neto bastardo dos instituidores, foi nomeado protector do Convento por carta régia de D. Duarte de 10 de Agosto de 1437. Para além dos túmulos dos fundadores, encontram-se na igreja do mesmo convento dois túmulos, de D. Fernando Meneses e de sua mulher D. Brites de Andrade.
As armas dos senhores de Cantanhede são as dos Albuquerques sobrecarregadas dum escudete de ouro liso, correspondente à aliança com os Meneses. As dos Albuquerque derivam das de D. Afonso Sanches. O escudo de armas representado é o mesmo existente de uma matriz sigilar em prata, proveniente do mesmo convento, ao qual foi adicionado um cordão de S. Francisco sobreposto em bordadura (Silva Lopes, 1960).
A peça pertence ao primeiro período da história do vitral em Portugal, que vai aproximadamente de 1420 a 1582. Trata-se de um tipo de vitral bastante divulgado na Flandres neste período, realizado com composição de vidros de cores pintados, por vezes em forma de medalhão inscrita numa vidraça branca, a qual podia ter uma cercadura (Redol, 1995).
Origem/Historial: Pertenceu ao Convento de Santa Clara de Vila do Conde (Inventário da Secção de cerâmica, cristais e vidros, Livro N.º 2 E, pp. 150-151). Arquivo MNSR cota PT/ MNSR/ CMP/ MMP/ A /P 2/ 5.
Deu entrada no Museu Municipal do Porto em 1902.
A peça foi incluída no inventário geral do Museu Municipal do Porto de 1938-39, cujo acervo foi depositado no Museu Nacional de Soares dos Reis em 1940-41, conforme o disposto no Decreto-Lei 27/879 de 21 de Julho de 1937.
Incorporação: Depósito da Câmara Municipal do Porto no Museu Nacional de Soares dos Reis.
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
ALARCÃO, Adília - A Propósito do Tratamento e Conservação de um Elemento de Vitral", Museu, 2ª série, 10, pp. 13-22: 1966
LOPES, Carlos da Silva - "Duas peças provenientes do Convento de Santa Clara de Vila do Conde", Museu, "2ª série, I, pp. 39-50: 1960
SILVA, Pedro Redol Lourenço - "O Mosteiro da Batalha e o Vitral em Portugal nos Séculos XV e XVI", in II Colóquio sobre História de Leiria e da sua Região, Actas, I vol, pp. 51-66. Leiria: Câmara Municipal, 1995