Descrição: Espada longa de folha muito estreita ou estoque do tipo 2C de Almagro Gorbea e considerada uma forma evolucionada de espada "argárica" segundo uns autores, ou unicamente uma espada estilizada com nervo central(sem influência meridional). Tem lingueta curta e larga , com cinco orificíos para acabamento.
A folha é comprida, provida de aresta central e de secção losângica. Apresenta marcas superficiais que podem derivar do embainhamento. A folha encontra-se soldada, pois foi partida aquando do achado. É considerada um dos expoentes da metarlugia Ibérica no Bronze Médio.
708 X 1, lingueta 55 X 1, folha 48 mm; e. 5 mm.
700 g.
Origem/Historial: Na altura da realização do inventário foi considerada a data de entrada no Museu anterior a 1950. Após investigações a data de entrada fixou-se em Fevereiro de 1957, ver "Correio da Beira" de 28 de Fevereiro de 1957, e as Actas das Reuniões da Camâra Municipal da Guarda..
A espada foi encontrada por acaso por uns pedreiros quando partiam um penedo no sitío do Picoto, povoação de Castelo Bom, concelho de Almeida. A espada foi trocada numa taberna por meio litro de vinho. Foi partida para ver se era de metal valioso, e soldada posteriormente.
Acta da reunião da Camâra Municipal da Guarda de 14 de Maio de 1957: "Objectos arqueológicos - presente um oficío da aludida Direcção-Geral do Ensino das Belas Artes, sugerindo também a aquisição, para o Museu, da espada de bronze encontrada no sitío do Picoto (Castelo Bom) atribuivel à Época do Bronze e pertencente a António da Costa, cantoneiro daquela localidade: - a Camâra deliberou igualmente encarregar o Excelentissimo Presidente de adquirir para o Museu Regional a espada em causa".
Acta da reunião da Camâra Municipal da Guarda de 31 de Dezembro de 1957: "..Despezas autorizadas: a António da Costa Coelho, de uma espada em bronze para o Museu Regional - 2.000$00".
Segundo informação escrita pelo Dr. Adriano Vasco Rodrigues e enviada ao Museu da Guarda em Fevereiro de 2009: "Esta espada triangular da Idade do Broze foi encontrada dentro de uma profunda fenda no interior de um grande penedo, quando o dinamitaram. Ocorreu perto de Castelo Bom (Almeida). Os trabalhadores pensaram conter ouro e partiram-na. Um cantoneiro da estrada (Guarda- Vilar Formoso) comprou-a, pagando um litro de vinho. Como tinha sido soldado no no quartel de Castelo Branco, às ordens do Coronel Elias Garcia, grande numismata, e este pedia aos soldados para lhe arranjarem moedas, o cantoneiro tinha levado algumas moedas romanas e recebido uma remuneração. Pensava, do adquirir espada levá-la ao Coronel e para mais a valorizar gravou-lhe algumas palavras retiradas da legenda de uma moeda romana. Assim não havia dúvidas, que a espada era romana... Foi esta a explicação que me deu, quando descobri a fraude, pois os riscos eram recentes. Ele confessou a razão da "vigarice". Com a pressa de depositar a espada no Museu e o receio da a molestar, não retirei a falsificação. Para evitar confusões no futuro, a Directora devia diligenciar para que um técnico retirasse a adulteração. As partes soldadas foram feitas pelo cantoneiro. Esta é a verdade. Adriano vasco Rodrigues".
O Museu da Guarda foi adoptado, e a Escola Básica 2/3 e Secundária de Vilar Formoso foi distinguida, com dois primeiros prémios pelo Jurí do Concurso Escolar, no ano lectivo de 2008 - 2009 "A minha escola adopta: um museu, um palácio, um monumento". Que consistiu na elaboração de trabalhos criativos a partir de testemunhos dos museus, palácios e monumentos que aderiram à iniciativa.
Os trabalhos dos alunos do 2º Ciclo e do 3º Ciclo da referida escola, ambos na categoria "Multimédia", tiveram por bases as duas espadas da Idade do Bronze do acervo do Museu da Guarda, provenientes de Castelo Bom (Almeida) e Vilar maior (Sabugal), datadas de 1600 - 1200 a.C. e 900 a.C. respectivamente.
Os vencedores foram os alunos Ana Baptista, André Pinto, Miguel Pinto, João Fabião e Bruno Neto (2º Ciclo), orientados pelo professor Carlos Teles, e os alunos Paulo Seixas, Rodrigo Teles, Marco Afonso, e Pedro Araujo (3º Ciclo), orientados pela professora Isabel de Magalhães.
Os prémios foram entregues no Dia Internacional dos Museus 2009, no Museu José Malhoa onde estiveram presentes a Senhora Ministra da Educação, a Senhora Secretária de Estado da Cultura, representantes dos Museus, alunos e professores.
Incorporação: pela Camâra Municipal da Guarda.
Centro de Fabrico: Sitío do Picoto, Castelo Bom, Almeida, Guarda. (?)
Bibliografia
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PERESTRELO, Manuel Sabino - Um príncipe pré-histórico em Figueira de Castelo Rodrigo ?. Guarda: O Interior, 31/10/2002
PERESTRELO, Manuel Sabino G. - A Romanização na bacia do rio Côa: Parque Arqueológico Vale do Côa, 2003
RODRIGUES, Adriano Vasco - Arqueologia da Península Hispânica
RODRIGUES, Adriano Vasco - Contributo para o Estudo da Idade do Bronze em Portugal. Viseu: Separata Beira Alta, 1961
RODRIGUES, Adriano Vasco - Espada da Idade do Bronze Foi encontrada uma espada que deixa entrever a existência dum centro matalúrgico em Vila Maior. Porto: Jornal Primeiro de Janeiro, 27/02/1957
RODRIGUES, Adriano Vasco - Memórias de um arqueólogo (VII). Guarda: Diário da Guarda, 17 de Abril de 1997
Roteiro do Museu da Guarda: Instituto Português de Museus / Museu da Guarda, 2004.
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VILAÇA, Raquel-Depositos de Bronze do Territorio Portugues. O Arqueologo Portugues. Lisboa: Ediçao do Museu Nacional de Arqueologia. Serie IV. Vol. 24. 2006.
VILAÇA, Raquel - A Proto-Historia no Museu do Sabugal. Museu do Sabugal: Colecçao Arqueologica. Sabugal: Pro Raia - Associaçao do Desenvolvimento Integrado da Raia Centro Norte, Municipio do Sabugal