Colcha indo-portuguesa

  • Museu: Museu Nacional do Traje
  • Nº de Inventário: 14410
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Têxteis
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 17
  • Técnica: Tafetá; bordado; pespontado.
  • Dimensões (cm): Comp. 320 x Larg. 274
  • Descrição: Colcha indo-portuguesa ("Justiça de Salomão") de tecido de algodão branco cru bordado com fio de seda amarela, a pontos de cadeia e nó. Centro inscrito num campo quadrangular enquadrado por uma barra superior e inferior, contendo, respectivamente, casario e cavaleiros, figuras emplumadas e figura feminina de braços abertos. “Justiça de Salomão” ao centro encimada por águia-bicéfala coroada sendo ladeada por duas personagens masculinas com toucado e tocando instrumento de sopro. A cena principal segue a representação habitual com a presença de duas mulheres diante do rei que se encontra sentado numa cadeira de espaldar alto. O menino sobre o qual vai incidir a justiça do rei encontra-se num berço diante de Salomão. Enquadram ainda a cena oito soldados, organizados simetricamente em grupos de quatro. O registo em que se desenrola a cena principal é ainda enquadrado por duas barras laterais nas quais se observa, à direita, uma fonte com três mulheres, casario, veado e duas figuras masculinas (?), numa possível alusão à história de Acteon. No lado oposto, fonte e figuração de casal (possivelmente Penélope e Ulisses). A primeira cercadura apresenta enrolamentos florais, águia-bicéfala nos cantos e um animal ao centro. Contém ainda a representação de um casal junto de uma estrutura idêntica à de um poço, repetindo o mesmo elemento no lado oposto com figura feminina. A segunda cercadura apresenta reservas rectangulares nos cantos conjugadas com reservas semi-circulares com representação de exército em desfile junto de edificações, proporcionando uma leitura simultaneamente vertical e horizontal. Num dos cantos, Judite, no topo de uma torre, exibe a cabeça de Holofernes aos soldados que a olham, imediatamente no plano inferior. Num outro, figura masculina coroada sentada em cadeira de espaldar alto tendo atrás de si três outras figuras masculinas. Empunhando ceptro, tem ainda diante de si três figuras femininas. No piso superior, militares e ameias de um edifico. A representação do desfile continua ao longo da cercadura sendo interrompida ao meio por moldura semi-circular formada por corpo de serpente. Nela se inscreve cena de duelo (?) e pássaros. Terceira cercadura, mais estreita, com figura de sereias com cauda dupla segurando enrolamento. Nos cantos, figura masculina com toucado, de aparência algo indígena, revelando dinamismo na pose. Quarta cercadura com cenas marinhas, contendo peixes e embarcação ao centro com mastro e vela precedendo um bote. A cercadura é preenchida ainda por animais marítimos (camarões, peixes), e animais fantásticos (figuras com cabeça de veado e cauda de sereia). Nos cantos, sereias com instrumentos musicais. A quinta cercadura é preenchida por enrolamentos onde se observa um elemento de forma aproximada à de um ananás e uma figura humana com cabeça de veado. Os cantos são marcados por reservas quadrangulares. O canto inferior direito apresenta cena de interior com dois homens sentados, frente a frente, em cadeiras de espaldar, tendo um deles atrás de si uma figura feminina. O registo é sobrepujado por três edificações (casas). No canto inferior esquerdo, Hércules matando hidra. No superior esquerdo, cena alusiva à história de Hero e Leandro. No último canto, cena por identificar onde se observa casario com árvore e figura masculina com pluma. Todas as cenas são enquadradas e delimitadas por tarjas com elementos circulares tangentes. Ainda na mesma cercadura, fénix no centro de um dos lados e, no lado oposto, Cupido, e cena com fauno junto de uma torre e, no lado oposto, figura com dragão e cão. A sexta e última cercadura apresenta temas de caçadas. Cantos marcados nos quais se insere uma figura com cabeça de veado alternando com figura feminina segurando orelha duma corsa (?). Forro de tecido de seda. Aplicação de franjas e borlas da mesma seda.
  • Origem/Historial: Pertenceu à Colecção Vilhena (n.º 22).
  • Incorporação: Casa Antiquália
  • Centro de Fabrico: Região de Hugli, Bengala, Índia

Bibliografia

  • PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; TEIXEIRA, Madalena Braz (coord.) - Traje Erudito e Traje Popular. Macau: Leal Senado de Macau, 1989. Catálogo de exposição
  • PORTUGAL. Museu de Évora - A iconografia da época da restauração. Évora : Museu de Évora, 1990. Catálogo de exposição
  • KARL, Barbara - Embroidered Histories. Indian Textiles for the Portuguese Market during the Sixteenth and Seventeenth Centuries. Wien: Böhlau Verlag Wien Köln Weimar, 2016.

Exposições

  • Traje Erudito e Traje Popular Português

    • Pavilhão Lou Lim Ieok, Macau
    • Exposição Física
  • Iconografia da Época da Restauração

    • Museu de Évora, Évora
    • Exposição Física

Multimédia

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