Descrição: Tambor bi-membranofone de percussão indirecta, com fuste cilindrico em madeira de nogueira pintado de azul com coroa real inscrita ao centro. Este apresenta ainda um pequeno orifício - o ouvido - que alivia e mantém em equilibrio a pressão interior, bem como um conjunto de pregos de cabeça larga localizados sensivelmente acima do escudo figurado nesta secção. Nos topos do fuste encontram-se aplicadas duas membranas de pele de ovelha, enroladas em arquilhos de madeira que são, por sua vez, pressionados por arcos de madeira de castanho, um em cada topo, e ligados entre si por uma corda, passada de arco a arco por buracos neles abertos em posição desencontrada, que prende e firma os arquilhos. A tensão das peles obtem-se graduando o retesamento da corda, disposta em yy contínuos na mesma posição por meio de aselhas de couro - os arrochos.
Fixada nos topos do fuste, através de grampos em metal, encontra-se uma cinta de suspensão em couro.
Pertence-lhe ainda duas baquetas (BA.965/2; BA.965/3).
Origem/Historial: Instrumento musical recolhido no âmbito do projecto de investigação sobre o tema "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", desenvolvido pelos Serviços de Música da Fundação Calouste Gulbenkian e coordenado por Ernesto Veiga de Oliveira entre os anos de 1960/1965.
Este bombo não fazia parte de nenhum dos caracteristicos conjuntos de Zé-pereiras da região. Era com ele que os rapazes que iam tirar as sortes faziam a música durante a noite e o dia, acompanhava a harmónica nos bailes de terreiro, tocava no cortejo de pinheiro do S. João, etc.
Pertencia à casa do Rei, daí a justificação para a presença da coroa real inscrita em seu fuste.
Custo (conjunto): 700$00
Bibliografia
CAIADO, José Pedro - "Guia dos Instrumentos Musicais Tradicionais Portugueses" in Boletim APEM, 68. Lisboa: APEM, 1991