Descrição: Reque-reque feito de uma tábua de madeira de pinho, recortada e pintada, figurando um homem de corpo inteiro a tocar cavaquinho. A parte frontal das pernas encontra-se denteada. O braço esquerdo, fixo, segura um cavaquinho em madeira com cordas em arame e cravelhas de madeira. O braço direito, funcionando por sua vez enquanto elemento articulado, apresenta um arame pelo qual passaria uma cana (em falta) que serviria para raspar a zona denteada. Ambos os braços apresentam inscrições a tinta preta: no esquerdo, "Angola é de"; e no direito, "Portugal".
Origem/Historial: Instrumento usado pelos rapazes em ocasiões festivas e sobretudo nos dias das inspecções militares. Toca-se movimentando verticalmente a cana que raspa no denteado, articulando consequentemente o braço direito que passa sua mão sobre as cordas do cavaquinho, fazendo soar simultaneamente o dedilhar das cordas e o matraquear da cana no serrilhado da perna. A inscrição “Angola é Portugal” evoca tanto o uso do instrumento na circunstância da ida às sortes, quanto o contexto histórico do país no início da guerra colonial.
Instrumento musical recolhido no âmbito do projecto de investigação sobre o tema "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", desenvolvido pelos Serviços de Música da Fundação Calouste Gulbenkian e coordenado por Ernesto Veiga de Oliveira entre os anos de 1960/1963.