Panela grande

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BB.486
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Equipamento de uso doméstico
  • Autor: Katsiparu
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 21,6 x Diâm. 69,5 x Prof. 20
  • Descrição: Panela grande de base plana, corpo cilindriforme de contornos côncavos, terminando num bordo saliente de recorte arredondado no exterior e interior plano, em argila. O interior da peça é revestido de pigmento vegetal preto. A base é ornamentada com um motivo geométrico composto por dois semicírculos simétricos de configuração triangular (a configuração triangular é designada na terminologia local por kulupienê - motivo de peixe), seguidos por duas faixas semicirculares pintadas com pigmento mineral vermelho e ladeadas, de um dos lados, por triângulos (os triângulos são designados por mitseuenê - dente de piranha), o espaço entre estas é composto por círculos com pontos (weri weri - círculos concêntricos), um losango e dois triângulos unidos nos vértices (os triângulos unidos nos vértices são designados por sapalaku - peça de indumentária feminina), pintado com pigmento vegetal preto. O corpo é revestido de pigmento mineral vermelho.
  • Origem/Historial: Apesar da peça constar no catálogo da exposição Os Índios, Nós, esta não participou na mesma. Peça sem uso, adquirida directamente ao fabricante. Os artefactos de cerâmica constituem o traço cultural mais característico dos índios Wauja, pois estes são dos mais qualificados produtores de objectos de cerâmica, destacando-se, no panorama etnográfico sul-americano, devido à singularidade das suas características morfológicas-funcionais e dos motivos gráficos que as decoram. Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000: O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição. A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas. O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu. A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.

Bibliografia

  • BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
  • NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988

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