Cesto cargueiro

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BB.619
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Transportes
  • Autor: Talakway (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Cestaria - entrecruzado: esta técnica obtém-se pelo cruzamento de duas séries de elementos, a trama e a urdidura, que vão passando perpendicularmente por cima e por baixo uns dos outros.
  • Dimensões (cm): Comp. 60,2 x Alt. 21,2 x Larg. 50,6
  • Descrição: Cesto cargueiro de forma paralelepipédica, em fibras vegetais, feito pela técnica do entrecruzado de diagonal aparente. A peça apresenta um bordo rígido formado por um aro de madeira envolvido com fios de algodão de cor vermelha, estes fios fixam as fibras que compõem o cesto, unindo assim o aro à peça. Próximo do bordo é visível, quer no interior quer no exterior da peça, uma faixa transversal de fios de algodão de cor vermelha e azul, as pontas dos fios encontram-se pendentes do lado exterior. No interior a base é reforçada por uma estrutura composta por cinco segmentos de secção circular em madeira dispostos paralelamente, estes assentam perpendicularmente em outros dois segmentos iguais dobrados em U, que percorrem os quatro cantos até ultrapassar a abertura. Os segmentos são unidos, entre si e à peça, com fios de algodão branco dispostos em ziguezague, e ao bordo com fios de algodão da mesma cor. O corpo é ornamentado com um motivo geométrico composto por losangos e linhas angulares. O motivo é definido pela própria técnica de execução da peça e é acentuado pelo tingimento, com pigmento vegetal preto, das fibras que o compõem. Os cantos da base são ornamentados com quatro cadilhos pendentes de fios de algodão de cor vermelha e amarela.
  • Origem/Historial: No Dicionário do Artesanato Indígena de Berta Ribeiro a técnica de cestaria, referida na descrição da peça, tem a designação de trançado sarjado. Trançado sarjado - neste padrão a trama produz um efeito diagonal ao perpassar dois ou mais elementos da urdidura , segundo a fórmula 2/2, 1/3, etc., dando lugar a uma multiplicidade de formas geométricas (pp. 66/68). Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000: O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição. A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas. O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu. A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
  • NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988

Exposições

  • Os Índios, Nós

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • 30/11/2000 a 3/6/2001
    • Exposição Física

Multimédia

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