Banco zoomórfico
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: BB.882
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Equipamento de uso doméstico
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Dimensões (cm): Comp. 71 x Alt. 16,8 x Larg. 21,2
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Descrição: Banco zoomórfico talhado numa só peça de madeira.
É constituído por um assento onde figuram duas cabeças e cauda de uma ave e por dois suportes.
O assento, de forma paralelepipédica, encontra-se apoiado por dois suportes oblíquos igualmente paralelepipédicos, que acompanham parte do comprimento do assento, e cuja extremidade inferior se prolonga lateralmente em dois segmentos de secção rectangular.
O interior da peça é revestido de pigmento mineral branco, sendo o exterior ornamentado com motivos geométricos pintados com pigmento vegetal preto, sob uma superfície pintada com pigmento mineral branco. O restante espaço é pintado com pigmento mineral vermelho.
O assento apresenta um motivo composto por um rectângulo, cujo interior é constituído por um rectângulo paralelo onde figuram quatro faixas preenchidas por losangos, losangos com rectângulos e triângulos. Os suportes apresentam um motivo de configuração triangular (designado na terminologia local por Kulupienê - motivo de peixe) onde figuram losangos e rectângulos, delimitado em toda a sua extensão por uma linha recta.
A cauda do animal é ornamentada com um motivo composto por dois triângulos preenchidos por pontos (os pontos são designados por pala palala - pintas), um triângulo preenchido por um losango, em cujo interior figura um rectângulo, e por uma linha ladeada de triângulos (os triângulos são designados por mitseuenê - dente de piranha). A cabeça do animal é pintada com os pigmentos referidos.
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Origem/Historial: Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000:
O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição.
A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas.
O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu.
A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
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Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988