Técnica: Cestaria - torcido: esta técnica obtém-se pela torção de fios entre os elementos que constituem a urdidura.
Dimensões (cm): Alt. 124 x Larg. 29
Descrição: Máscara de Ewejo constituída por um aro de forma ovóide em buriti, que serve de suporte a um tecido de algodão, que representa o rosto, e a uma secção cilindriforme em fibras e fio de buriti, feita pela técnica do torcido, que representa o corpo da máscara.
O tecido é unido ao aro por fios de algodão de cor vermelha. A secção cilindriforme é unida, ao tecido e ao aro, por fios de buriti.
No tecido de algodão figuram dois olhos suspensos por fios de buriti, feitos de cera de abelha. A boca é constituída pela queixada de um peixe piranha, fixada com cera de abelha e fio de buriti, de onde pendem fios de algodão branco e um peixe talhado numa só peça em madeira, fixado com fio de nylon e pintado em certas partes com pigmento vegetal preto. Um pouco mais abaixo são, ainda, visíveis alguns fios de algodão de cor branca e verde pendentes.
A secção cilindriforme apresenta-se desfiada, formando uma franja, a metade da sua altura.
O rosto da máscara é ornamentado com um motivo geométrico composto por uma faixa recta central, delimitada, de ambos os lados, por uma linha paralela e uma semi-elipse, pintado com pigmento vegetal preto.
O corpo da máscara apresenta, em certas partes, uma substância desconhecida, folhas e pigmento vegetal preto.
A peça encontra-se enegrecida.
Rosto da máscara altura (cm): 30
Peixe comprimento (cm): 15
Origem/Historial: Segundo Aristóteles Barcelos Neto, o colector, a peça é produzida colectivamente e utilizada pelos homens que participam da festa.
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000:
O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição.
A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas.
O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu.
A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
Bibliografia
NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
Exposições
Com os Índios Wauja: objectos e personagens de uma colecção amazónica