Máscara de Tukuje fêmea

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BB.729
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Cestaria - torcido: esta técnica obtém-se pela torção de fios entre os elementos que constituem a urdidura.
  • Dimensões (cm): Alt. 204 x Diâm. 103
  • Descrição: Máscara de Tukuje fêmea constituída por um aro em madeira, que serve de suporte a uma secção, que representa o rosto, e a um conjunto de franjas de buriti, que representa o corpo da máscara. A secção e o conjunto de franjas são unidos, entre si e ao aro, por fios de buriti. A secção é constituída por fibras em buriti, dispostas paralela e radialmente, unidas entre si, por fio do mesmo material, através da técnica do torcido, exceptuando uma parte, na qual se destaca um triângulo preenchido por uma rede de fios de algodão branco, cujas arestas são delimitadas por uma armação em buriti, revestida com fios de algodão de cor vermelha. É por aquele triângulo que o indivíduo que veste a máscara vê. Junto ao vértice está disposto, verticalmente, um feixe cilindriforme em fibras de buriti envolvido por fios de algodão de vermelha e branca, que termina numa franja revestida com pigmento vegetal vermelho. O feixe assume a forma cilíndrica, devido ao facto de conter no seu interior um segmento em madeira de forma idêntica. A base do triângulo apresenta um segmento cilíndrico em fibras de buriti, envolvido por fios de algodão de cor vermelha, cujas extremidades apresentam-se desfiadas, fixado por fios de buriti. É por este segmento que o indivíduo suporta o peso da máscara. No rosto figuram dois olhos tronco-cónicos suspensos por fios de algodão, feitos de cera de abelha onde são colocados dois pedaços circulares de concha. O conjunto de franjas de buriti rodeia o aro e prolonga-se para além deste, ficando suspenso. O rosto da máscara é ornamentado com um motivo geométrico composto por duas semi-elipses, duas faixas oblíquas, e dois triângulos isósceles, todos os elementos são dispostos simetricamente. O motivo é pintado com pigmento vegetal vermelho. A peça é revestida, em certas partes, com pigmento vegetal vermelho.
  • Origem/Historial: Segundo Aristóteles Barcelos Neto, o colector, a peça é produzida colectivamente e utilizada pelos homens que participam da festa. A máscara de Tukuje fêmea faz-se acompanhar por um conjunto de rodilhas e duas saias. O primeiro é colocado na cabeça do indivíduo que a veste, de forma a fazer altura e a suportar o aro de madeira. De acordo com imagens de campo uma das saias é colocada por cima do conjunto de franjas que compõe o corpo da máscara, cintando-a. Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000: O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição. A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas. O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu. A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988

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