Máscara de Yutsipiku fêmea

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BB.736
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Cestaria - torcido: esta técnica obtém-se pela torção de fios entre os elementos que constituem a urdidura.
  • Dimensões (cm): Alt. 186
  • Descrição: Máscara de Yutsipiku fêmea constituída por uma estrutura tronco-cónica em tiras e fios de buriti, feita pela técnica do torcido, revestida por fibras e fio do mesmo material, através da mesma técnica, que representa a cabeça e o corpo da máscara. O revestimento de fibras encontra-se desfiado, formando uma franja, a partir da base da estrutura tronco-cónica. A estrutura é encimada por um feixe cilindriforme em fibras de buriti, envolvido por fios de algodão branco, e cuja extremidade termina numa franja. A franja é envolvida com fibras de buriti e revestida com pigmento vegetal vermelho. O feixe assume a forma cilíndrica, devido ao facto de conter no seu interior um segmento em madeira de forma idêntica. Na cabeça figuram dois olhos cilindriformes suspensos por fios de buriti, feitos de cera de abelha onde são colocados dois pedaços circulares de concha, e a boca constituída pela queixada de um peixe piranha, fixada com cera de abelha e fio de buriti, de onde pendem fios de algodão branco. A cabeça é ornamentada com um motivo geométrico composto por losangos, linhas angulares e oblíquas, pintado com pigmento vegetal preto. O restante espaço é pintado com pigmento vegetal vermelho. O feixe é ornamentado por uma faixa recta longitudinal, delimitada por configurações triangulares (designadas na terminologia por Kulupienê - motivo de peixe), e por losangos cujos vértices formam triângulos (Kupatö - literalmente uma forma ou peixe), e linhas rectas longitudinais, pintadas com os pigmentos já referidos. O corpo da máscara é revestido, em certas partes, com o pigmento vegetal vermelho. Estrutura tronco-cónica altura (cm): 26 Estrutura tronco-cónica diâmetro (cm): 29
  • Origem/Historial: Segundo Aristóteles Barcelos Neto, o colector, a peça é produzida colectivamente e utilizada pelos homens que participam da festa. Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000: O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição. A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas. O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu. A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988

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