Técnica: Cestaria - torcido: esta técnica obtém-se pela torção de fios entre os elementos que constituem a urdidura.
Dimensões (cm): Alt. 135
Descrição: Máscara de Sapukuyawá constituída por dois elementos: um segmento cilindriforme em madeira e uma secção em fibras e fio de buriti, feita pela técnica do torcido, que representa a cabeça e o corpo da máscara.
O segmento é disposto transversalmente e envolvido por fios de algodão de cor vermelha, apresentando em cada extremidade um cordão de fios de algodão da mesma cor, de onde pende um cadilho feito do mesmo material e cor. A meio do comprimento do segmento é suspensa, através de fio de buriti, a referida secção.
Esta, de forma rectangular quando não está a ser utilizada, assume em uso a forma da cabeça do indivíduo que a veste. A secção apresenta-se desfiada, formando uma franja, em dois terços da sua altura.
No rosto figuram dois olhos cilindriformes suspensos por fios de buriti, feitos de cera de abelha onde são colocados dois pedaços circulares de concha, e a boca constituída pela queixada de um peixe piranha, fixada com cera de abelha e fio de buriti, de onde pendem fios de algodão de cor vermelha.
A cabeça da máscara é ornamentada, em cada face, com um motivo geométrico composto por um rectângulo longitudinal dividido por uma linha transversal, pintado com pigmento vegetal preto, e preenchido por uma configuração triangular (a configuração triangular é designada na terminologia local por Kulupienê - motivo de peixe), pintada com pigmento vegetal vermelho.
A franja é revestida, em certas partes, com pigmento vegetal vermelho.
Segmento comprimento (cm): 96,2
Origem/Historial: Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000:
O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição.
A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas.
O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu.
A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
Bibliografia
NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988