Armadilha de pesca
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: BC.865
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Pesca
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Técnica: Cestaria - torcido: esta técnica obtém-se pela torção de fios entre os elementos que constituem a urdidura.
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Dimensões (cm): Comp. 107
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Descrição: Armadilha de pesca cilindriforme afunilando na extremidade superior, em fibra de mututo, feita pela técnica do torcido, o qual se encontra disposto em espiral.
O interior da peça é reforçado por anéis e provido de um cone que atinge meia altura. A abertura da peça é comum à abertura do cone.
O cone é constituído por varetas soltas convergentes.
Cone altura (cm): 49
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Origem/Historial: Este objecto tem como função a pesca, contudo, neste caso específico foi utilizado como enchimento para as embalagens que transportaram os objectos recolhidos por Aristóteles Barcelos Neto, do seu contexto etnográfico para o Museu Nacional de Etnologia. Devido à função exercida no decorrer da recolha de objectos para constituir a colecção dos Índios Wauja, esta peça não foi contemplada no estudo do colector, deste modo não existe qualquer informação sobre a sua fabricação, quem foi o seu proprietário, a sua efectiva utilização no terreno, etc.
No Dicionário do Artesanato Indígena de Berta Ribeiro a técnica de cestaria, referida na descrição da peça, tem a designação de trançado torcido vertical.
Trançado torcido vertical - este padrão é produzido por dois elementos torcidos sobre si mesmos que, simultaneamente, em cada meia volta, entretecem um elemento da urdidura disposto na perpendicular, envolvendo-o transversalmente (pp. 66/68).
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Wauja 2000:
O projecto de constituição de uma colecção etnográfica entre os índios Wauja, um povo de língua Arawak, estabelecido unicamente nas proximidades da margem direita do rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, no Estado de Mato Grosso, na Amazónia Meridional, foi desencadeado pelo MNE, conduzido no terreno pelo antropólogo Aristóteles Barcelos Neto e apoiado financeiramente pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, durante o ano de 2000. A formação desta colecção resultou da conjuntura particular da preparação da exposição Os Índios, Nós. Refira-se que nesta conjuntura aquela Comissão foi parceira financeira no projecto da exposição.
A investigação no terreno ficou a cargo do antropólogo Aristóteles Barcelos Neto, uma vez que já tinha realizado trabalho de campo na aldeia Wauja do Alto Xingu, em 1998, a partir do qual elaborou a tese de mestrado Arte, estética e cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional (1999), defendida na Universidade Federal de Santa Catarina. Constituiu ainda, no mesmo território e entre o mesmo grupo, uma colecção etnográfica para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Bahia. Baseando-se na sua própria experiência e conhecimento da tribo elaborou um projecto para o MNE, intitulado Cultura material amazónica: sociologias e cosmologias nativas.
O objectivo fulcral da investigação assentou na formação e documentação de uma colecção sistemática de artefactos, representativa da cultura material dos índios Wauja do Alto Xingu.
A colecção, constituída por 578 peças, abrange todas as classes de artefactos excepto a plumária, devido às actuais leis brasileiras que proíbem a sua exportação.
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Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988