Descrição: Retrato de D. Pedro III, rei de Portugal (1717-1786), marido de D. Maria I, em tela de formato oval, retratado ao nível do busto, em posição ligeiramente voltada à direita, em fundo com gradações. O rei encosta o peito, à direita, a uma almofada verde com galão e borla dourados, sobre a qual pousa um elmo guarnecido de louro, símbolo de glorificação. O braço direito fletido, em pose galante. Apresenta o rosto maduro emoldurado por cabeleira empoada curta. Veste à moda da segunda metade do século XVIII, com camisa branca rendada e sobre ela uma casaca de veludo dourado, cm botões circulares do mesmo, nos punhos. A envolver as costas, o ombro e braço esquerdos e peito, um manto azul com fímbria dourada com o motivo "de grega" e forrado de arminho fixado, no ombro direito, por um alfinete com pedra vermelha. Do pescoço pende uma fita vermelha que suporta uma cruz pedrejada da Ordem de Cristo.
A pintura apresenta uma moldura oval, coeva , em talha dourada, com motivos rococó.
Origem/Historial: O retrato de D. Pedro III, rei de Portugal (1717-1786) pertence a uma coleção de cinco retratos reais - constituída também pelos retratos de D. José I, D. Mariana Victória de Bourbón, do príncipe D. José (filho dos anteriores) e de D. Maria I (mulher de D. Pedro III) - e um retrato do papa Clemente XIV, datados da segunda metade do século XVIII, que para além do mesmo formato e dimensão, partilham vistosas molduras em talha dourada com motivos rococó a guarnecê-los.
Conservam-se atualmente nas coleções nacionais, numerosos exemplares destes retratos, oriundos naturalmente das coleções reais, mas também de palácios e de paços episcopais, nomeadamente, os retratos que pertenceram ao paço patriarcal de São Vicente de Fora e aos paços espicopais de Castelo Branco, Évora, Bragança e ao de Lamego, a que pertenceu a coleção referida.Trata-se de um conjunto significativo, que revela o bom acolhimento que tiveram junto de uma clientela informada os retratos da família real, de algums titulares da nobreza e altos dignitários do clero, produzidos de acordo com um esquema representacional destinado à fixação de uma imagem de afirmação e poder, filiados em modelos de inspiração francesa, da primeira metade do século XVIII.
Correspondendo aos ideais neoclássicos, com referências à Antiguidade, de afinado valor simbólico associado a imagens de poder e autoridade - como são o motivo de “gregas” e a folhagem de louro a circundar o elmo - , a figuração do retratado é realista e de uma expressividade linear e vigorosa.
Apesar da sua origem mal documentada, é de crer que este exemplar, assim como os demais retratos, tenha sido adquirido, ainda no último quartel do século XVIII quando se realizaram as campanhas de renovação do paço episcopal, ao tempo do bispo D. Manuel de Vasconcelos Pereira, fazendo dotar a residência dos bispos de uma linha mais atualizada que satisfizesse as ambições de aparato vigentes. É aí que os vamos encontrar, em 1821, mais precisamente, na sala de visitas, num ambiente de luxo e opulência, para o qual concorriam as peças de mobiliário de gosto francês – um jogo composto de um canapé e vinte e quatro cadeiras, tudo estofado de damasco vermelho, cómodas-papeleiras e os pares de mesas de jogo; os veludos escarlate dos pesados reposteiros pendendo de sanefas com frisos dourados e um impressionante número de pinturas de assuntos diversos, sessenta, ao todo, a ornar as paredes.
Pese embora a incorporação do palácio e respetivo recheio no património do Estado, decorrente da lei da Separação da Igreja e do Estado, após a implantação da República, a coleção de retratos permaneceria no mesmo local, na antiga residência dos bispos, onde se encontra instalado o Museu desde 1917. Apeados da exposição permanente há vários anos, estiveram expostos numa sala forrada de damasco carmezim, coroada por um teto estucado, em estilo rocaille, com ornatos brancos sobre fundo rosa. Atualmente encerrada ao público, constitui uma remanescência do aparato decorativo de que se revestiam os aposentos do antigo paço.
Incorporação: Transferência: antigo Paço Episcopal de Lamego
Bibliografia
AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
MACHADO, Ana Raquel dos Santos (2014) - A Arte da Moldura em Portugal durante a Idade Moderna (séc. XVI-XVIII). Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Exposições
Finalistas da Escola Artística e Profissional Árvore