Instrumento de sangria

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AN.601
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Saúde
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 8,5 x Larg. 6
  • Descrição: Instrumento de sangria de forma trapezoidal, em cabaça. Numa das extremidades a peça é provida por uma série de dentes de peixe cachorra, encastrados e fixados no interior por resina preta.
  • Origem/Historial: A ficha manual contem as seguintes informações: Segundo Me. Etta Bercher Donner, o sangue retirado desta forma é para ser usado em cerimónias de caça propiciatórias - purificação para sucesso na caça. Pode-se recorrer a este modo de retirar sangue numa perpectiva meramente terapêutica, nomeadamente após confrontos corporais, longas caminhadas, etc., para aliviar as dores. Os locais geralmente mais afectados eram o peito, as pernas, os braços e as costas. Victor Bandeira assistiu inúmeras vezes a esta operação, mas sempre com mero espectador. Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira: Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região. Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios. Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil. Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil. Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia. A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • BANDEIRA, Françoise, "Les Indiens Karajá de L'Araguaia" in Geographica N.º 15, 1966
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
  • RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986

Exposições

  • Índios da Amazónia

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • Exposição Física

Multimédia

  • 3761.jpg

    Imagem