Flecha
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AN.354
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Caça
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Datação: Século 20
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Técnica: Emplumação radial - é produzida com a utilização de duas meias penas com atadura costurada, isto é, o atilho atravessa a haste perfurada para esse fim (Dicionário do Artesanato Indígena; pp. 247).
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Dimensões (cm): Comp. 202,6
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Descrição: Flecha constituída por uma haste cilindriforme, em junco.
Uma das extremidades da haste é composta por uma vareta em madeira fixada por fio vegetal e fios de algodão revestidos de cera. Na extremidade da vareta é visível um rasgo e vestígios de um enrolamento de fios de algodão e de cera.
A extremidade oposta é provida de um encaixe constituído por um rasgo, no qual é ajustada a corda do arco para o disparo da flecha. É, ainda, provida de emplumação de tipo radial, com duas meias penas de cor castanha fixadas à haste por fio de algodão branco. O fio envolve parte da extremidade e é ornamentado por linhas em ziguezague pintadas de cor preta.
Próximo da emplumação são visíveis vestígios de uma etiqueta adesiva.
Vareta comprimento (cm): 17
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Origem/Historial: De acordo com informação contida na ficha manual a peça era provida de uma ponta em lasca de osso, no entanto no processo de estudo verifiquei a ausência dessa ponta. Porém, após observar a peça constatei que na sua produção a flecha foi provida de uma ponta, uma vez que na extremidade da vareta são visíveis vestígios de um enrolamento de fios de algodão e de cera, bem como um rasgo que, possivelmente, constitui o ponto de inserção.
A classificação da peça e da sua emplumação, em relação ao tipo, referida na descrição foi retirada do Dicionário do Artesanato Indígena de Berta Ribeiro (pp. 224/225/242/243/246/247/248).
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
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Bibliografia
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
- RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986