Flecha
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AN.363
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Caça
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Autor:
Autor desconhecido
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Datação: Século 20
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Técnica: Emplumação mista (radial e tangencial) - é produzida com a utilização de penas inteiras: o canhão da pena é atado numa das extremidades e a outra munida de atadura cerrada (Dicionário do Artesanato Indígena; pp. 242/247).
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Dimensões (cm): Comp. 100
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Descrição: Flecha constituída por uma haste cilindriforme, em cana.
Uma das extremidades da haste é composta por uma ponta formada por uma casca de um fruto silvestre ovóide com dois orifícios simétricos. A casca do fruto, perfurada pela haste, envolve aquela e é fixada por cera. Em uso, quando a flecha é atirada esta sibila devido aos orifícios da casca do fruto.
A extremidade oposta é provida de um encaixe constituído por um rasgo, no qual é ajustada a corda do arco para o disparo da flecha. É, ainda, provida de emplumação de tipo mista, com duas penas de cor castanha fixadas à haste, nas extremidades superiores por fio de algodão branco e nas extermidades opostas com fio de algodão de cor azul. O fio que envolve a extremidade inferior das penas fixa, igualmente, duas penas de cor vermelha de dimensões menores.
Ponta comprimento (cm): 5
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Origem/Historial: A classificação da peça e da sua emplumação, em relação ao tipo, referida na descrição foi retirada do Dicionário do Artesanato Indígena de Berta Ribeiro (pp. 224/225/242/243/246/247/248).
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
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Bibliografia
- Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
- BANDEIRA, Françoise, "Les Indiens Karajá de L'Araguaia" in Geographica N.º 15, 1966
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
- RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986
Exposições
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Arte do Índio Brasileiro
- Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
- Exposição Física