Panela
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AN.429
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Equipamento de uso doméstico
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Dimensões (cm): Comp. 54,5 x Alt. 18,5 x Larg. 49 x Prof. 13,3
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Descrição: Panela de base plana, corpo cilindriforme, terminando num bordo de recorte plano onde figuram a cabeça, duas asas e cauda de uma ave, em argila.
O interior da peça é revestido, em certas partes, de pigmento vegetal preto.
A base é ornamentada com um motivo geométrico composto por linhas oblíquas. O corpo é revestido de pigmento mineral vermelho.
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Origem/Historial: "Os Kamayurá, índios Tupi afamados pelo seu trabalho dos arcos e dos adornos plumários, obtém pela via da troca com os Wauja, recipientes e utensílios de cerâmica, a maior parte dos quais zoomórficos, Estes recipientes representam um animal deitado sobre o dorso, o fundo do recipiente, frequentemente uma tartaruga, uma rã ou um tatu, com o vêntre côncavo" (Os Índios, Nós, 2000:152).
Na ficha manual a designação da peça é Caçarola, no entanto optei por utilizar a denominação Panela, após realizar uma pesquisa bibliográfica, de observar peças semelhantes (na colecção Wauja do MNE) e por uma questão de uniformização de termos.
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
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Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
- BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
- LIMA, Tânia Andrade - "Cerâmica Índigena Brasileira" in Suma Etnológica Brasileira, 2º vol. Petrópolis: Vozes/FINEP, 1986
- NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
- RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986
Exposições
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Índios da Amazónia
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- Exposição Física
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Arte do Índio Brasileiro
- Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
- Exposição Física
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Os Índios, Nós
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- 30/11/2000 a 3/6/2001
- Exposição Física