Panela tartaruga japuti
-
Museu: Museu Nacional de Etnologia
-
Nº de Inventário: AN.426
-
Super Categoria:
Etnologia
-
Categoria: Equipamento de uso doméstico
-
Autor:
Pintor (-)
-
Datação: Século 20
-
-
-
Dimensões (cm): Comp. 24 x Alt. 12,3 x Larg. 21,2 x Prof. 8,7
-
Descrição: Panela tartaruga japuti de base plana, corpo ovóide, terminando num bordo de recorte plano onde figuram a cabeça, dois membros e cauda do referido animal, em argila.
A peça encontra-se enegrecida pelo fogo.
-
-
Origem/Historial: Segundo a ficha manual a peça representa a tartaruga da terra, Japuti.
"Os Kamayurá, índios Tupi afamados pelo seu trabalho dos arcos e dos adornos plumários, obtém pela via da troca com os Wauja, recipientes e utensílios de cerâmica, a maior parte dos quais zoomórficos, Estes recipientes representam um animal deitado sobre o dorso, o fundo do recipiente, frequentemente uma tartaruga, uma rã ou um tatu, com o vêntre côncavo" (Os Índios, Nós, 2000:152).
Na ficha manual a designação da peça é Caçarola, no entanto optei por utilizar a denominação Panela, após realizar uma pesquisa bibliográfica, de observar peças semelhantes (na colecção Wauja do MNE) e por uma questão de uniformização de termos.
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
-
Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
-
Bibliografia
- Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
- BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
- LIMA, Tânia Andrade - "Cerâmica Índigena Brasileira" in Suma Etnológica Brasileira, 2º vol. Petrópolis: Vozes/FINEP, 1986
- NETO, Aristóteles Barcelos, Arte, Estética e Cosmologia entre os Índios Waurá da Amazônia Meridional. Florianópolis: UFSC, 1999 (Policopiado)
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
- RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986
Exposições
-
Arte do Índio Brasileiro
- Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
- Exposição Física
-
Os Índios, Nós
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- 30/11/2000 a 3/6/2001
- Exposição Física