Máscara-fato

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AN.266
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 133 x Larg. 67
  • Descrição: Máscara-fato antropomórfica constituída por uma estrutura cónica, que representa a cabeça e o tronco, feita a partir de dois pedaços de entrecasca de àrvore (líber) cosidos entre si com fio vegetal. A extremidade inferior da estrutura é composta por um aro de madeira, o qual é rodeado por um conjunto de franjas de fibras vegetais que se encontra suspenso e que figura uma saia. A estrutura cónica apresenta, a meia altura, duas aberturas laterais elípticas, nas quais são colocadas duas mangas cilindriformes em entrecasca de árvore de tom castanho escuro. As mangas apresentam as extremidades salientes e arredondadas, uma vez que contêm aros de madeira que são cobertos pela entrecasca. De cada punho pendem fibras vegetais. No rosto figuram dois olhos circulares, dois pares de linhas curvas simétricas que representam as sobrancelhas, o nariz de contorno circular, e a boca formada por duas linhas rectas paralelas com traços que figuram os dentes. Todos os elementos que compõem o rosto são pintados de preto e amarelo. A cabeça é pintada de cor preta. O tronco é ornamentado por dois painéis, um disposto à frente e outro nas costas. Cada painel é constituído por quatro rectângulos transversais, colocados dois a dois. O painel que decora a parte da frente exibe nos rectângulos superiores linhas oblíquas que se entrecruzam formando triângulos e losangos. Os losangos são pintados pela metade. Os outros rectângulos são decorados com linhas de triângulos unidos pelos vértices e losangos. O painel oposto apresenta nos rectângulos superiores linhas oblíquas que se entrecruzam formando triângulos e losangos. Os losangos são pintados pela metade.Os outros rectângulos exibem linhas de triângulos unidos pelos vértices. Os motivos são definidos a preto e pintados de cor preta, amarela e castanha. A estrutura cónica cobre, por completo, a cabeça e o tronco do indivíduo que veste a máscara, enquanto a saia de fibras esconde os membros inferiores.
  • Origem/Historial: "Estas máscaras, que são próprias dos grupos do Noroeste do Brasil, representam seres ou animais míticos ou espíritos e demónios. Os desenhos que as decoram pretendem figurar as características do animal em vista, meio insecto, ave ou peixe. São feitas e usadas pelos homens, na cerimónia fúnebre que tem lugar cerca de um mês após o enterro de algum membro da aldeia; e ora lamentam o falecimento, ora investem contra a assistência. A sua acção parece ter em vista afastar as forças maléficas durante as cerimónias fúnebres. Terminada a cerimónia, são queimadas no terreno da aldeia, com acompanhamento de lamentos de modo a evitar que os demónios voltem quandos os ritos funerários se cumprirem. Entre os Índios Tukuna do rio Solimões, na fronteira Brasil-Perú, estas máscaras - que levam o nome de "caudas" - saem por ocasião de todas as cerimónias que marcam os estádios da existência individual, nomeadamente as festas de puberdade das raparigas. Representam os demónios canibais exterminados pelos antepassados: Demónios do Vento, da Tempestade, da Água; e também Demónio-Macaco, Demónio-Borboleta, Demónio-Árvore." (cf. Índios da Amazónia, 1986, pp.130-131) Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira: Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região. Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios. Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil. Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil. Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia. A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
  • RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986

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