Máscara-fato

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AN.267
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 145 x Larg. 67
  • Descrição: Máscara-fato antropomórfica constituída por uma estrutura cónica, que representa a cabeça e o tronco, feita a partir de dois pedaços de entrecasca de àrvore (líber) cosidos entre si com fio vegetal. A extremidade inferior da estrutura é composta por dois aros de madeira, os quais são rodeados por um conjunto de franjas de fibras vegetais que se encontra suspenso e que figura uma saia. A estrutura cónica apresenta, a meia altura, duas aberturas laterais elípticas, nas quais são colocadas duas mangas cilindriformes em entrecasca de árvore de tom castanho escuro. As mangas apresentam as extremidades salientes e arredondadas, uma vez que contêm aros de madeira que são cobertos pela entrecasca. De cada punho pendem fibras vegetais. A zona da cabeça é reforçada, no interior, com um aro de madeira disposto em semi círculo. O topo da estrutura é arrematado por um enrolamento de fibras vegetais que pende na parte detrás da cabeça e na qual é fixado. No rosto figuram dois olhos ovais, duas linhas angulares simétricas que representam as sobrancelhas, e a boca de forma oval. Todos os elementos que compõem o rosto são pintados de preto. A cabeça é pintada de cor preta, amarela e castanha. O tronco é ornamentado na parte da frente com três barras tranversais. A primeira é preenchida com duas faixas oblíquas entrecruzadas que formam um X. Estas faixas são delimitadas por outras de forma a elaborar triângulos equidistantes. A segunda é composta por dois rectângulos transversais paralelos preenchidos com faixas oblíquas entrecruzadas que formam um X. A última barra é decorada com outros dois rectângulos transversais paralelos divididos, ao meio, com uma faixa oblíqua. As costas são ornamentadas, igualmente, com três barras tranversais. A primeira exibe uma faixa angular e uma linha transversal de pontos. A segunda é decorada com dois rectângulos transversais paralelos divididos, ao meio, com uma faixa oblíqua. A terceira apresenta duas faixas oblíquas simétricas, intercaladas por uma faixa transversal. Os motivos são definidos a preto e pintados de cor preta, amarela e castanha. A estrutura cónica cobre, por completo, a cabeça e o tronco do indivíduo que veste a máscara, enquanto a saia de fibras esconde os membros inferiores.
  • Origem/Historial: "Estas máscaras, que são próprias dos grupos do Noroeste do Brasil, representam seres ou animais míticos ou espíritos e demónios. Os desenhos que as decoram pretendem figurar as características do animal em vista, meio insecto, ave ou peixe. São feitas e usadas pelos homens, na cerimónia fúnebre que tem lugar cerca de um mês após o enterro de algum membro da aldeia; e ora lamentam o falecimento, ora investem contra a assistência. A sua acção parece ter em vista afastar as forças maléficas durante as cerimónias fúnebres. Terminada a cerimónia, são queimadas no terreno da aldeia, com acompanhamento de lamentos de modo a evitar que os demónios voltem quandos os ritos funerários se cumprirem. Entre os Índios Tukuna do rio Solimões, na fronteira Brasil-Perú, estas máscaras - que levam o nome de "caudas" - saem por ocasião de todas as cerimónias que marcam os estádios da existência individual, nomeadamente as festas de puberdade das raparigas. Representam os demónios canibais exterminados pelos antepassados: Demónios do Vento, da Tempestade, da Água; e também Demónio-Macaco, Demónio-Borboleta, Demónio-Árvore." (cf. Índios da Amazónia, 1986, pp.130-131) Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira: Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região. Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios. Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil. Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil. Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia. A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
  • RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986

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