Figura antropomórfica
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AN.316
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Ritual
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Dimensões (cm): Alt. 43,5
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Descrição: Figura antropomórfica masculina constituída por um esqueleto em madeira revestido com cera preta coberta por uma penugem branca.
Os pés são de formato semi elipsoidal e os membros inferiores cilindriformes. O tronco é de forma ovóide e os membros superiores cilindriformes encontrando-se dispostos obliquamente em relação ao tronco. Cada membro superior apresenta dois círculos em relevo. O pescoço cilindriforme alonga-se até à cabeça cilíndrica, onde é visível um nariz igualmente cilíndrico.
Os membros inferiores são ornamentados com duas jarreteiras de fios de algodão. A figura apresenta o sexo coberto por uma tira vegetal que representa um estojo peniano. O pescoço é decorado com um colar de missangas de cores vermelha, branca e azul. A cabeça é ornamentada com penas de tons vermelho, amarelo e verde dispostas verticalmente a toda a volta.
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Origem/Historial: O boneco Tapirapé é referido como o ser sobrenatural Topy "que tem a propriedade de percorrer o céu durante a tempestade" (Baldus 1940: 406). A característica mais notária deste boneco é a representação do aparelho genital masculino e do estojo peniano (Dicionário do Artesanato Indígena 1988: 302).
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
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Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
- BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
- RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986
Exposições
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Índios da Amazónia
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- Exposição Física
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Arte do Índio Brasileiro
- Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
- Exposição Física
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Os Índios, Nós
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- 30/11/2000 a 3/6/2001
- Exposição Física