Descrição: Aljava constituída por um segmento cilindriforme de cana com a extremidade inferior fechada pelo septo desta, e cujo interior apresenta vários feixes de tiras de folhas de palmeira unidos entre si com fio de algodão, que em uso acondicionam as setas dispostas com a parte perfurante, besuntada de curare, para baixo.
A peça é, ainda, composta por uma cabaça esférica atravessada longitudinalmente por um segmento cilíndrico em madeira, fixado com tiras vegetais. A cabaça contém no seu interior fibra de sumaúma, introduzida e retirada por meio de um orifício circular, que é usada para encapar as extremidades não perfurantes das setas.
A peça é provida de um alça de fios de algodão fixada ao segmento de cana com fio e com as tiras vegetais que fixaram anteriormente o segmento de madeira. Da alça pendem uma mandíbula de piranha e uma chapa metálica denteada, usadas para fazer uma incisão na seta.
A cabaça é ornamentada com três flores e duas aves gravadas.
Cabaça diâmetro (cm): 11
Origem/Historial: "As pontas de fechas ou as setas de zarabatanas são colocadas na aljava com a parte perfurante, besuntada de curare, para baixo, dentro de um emaranhado de fibra, podendo as setas ser amarradas sequencialmente umas às outras. Acompanha a aljava, frequentemente, um recipiente contendo paina, fibra de sumaúma outra espécie vegetal, usada para encapar as extremidades não perfurantes das setas, bem como um implemento cortante - em geral mandíbula de piranha - para fazer uma incisão na seta, no momento de atirar. Dessa forma, a ponta da seta quebra-se, permanecendo no corpo da vítima. A aljava é provida de uma alça para o seu transporte" (Dicionário de Artesanato Indígena, 1988: 240-242).
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
Bibliografia
Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988