Diadema

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AN.721
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Corpo
  • Autor: Pintor
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 77 x Larg. 130
  • Descrição: Diadema constituído por duas fileiras semicirculares de penas. Estas apresentam-se sobrepostas e delimitadas por dois segmentos de madeira. Os segmentos são de formato rectangular com arestas arredondadas. Cada um deles apresenta quatro orifícios, através dos quais são unidos com um cordão de fibras vegetais. Um dos segmentos exibe mais dois orifícios. É no espaço existente entre os dois segmentos que são colocadas as duas fileiras de penas. A fileira da frente apresenta penas de jaburu aparadas de cor castanha. A segunda fileira exibe penas, também de jaburu, de cores rosa e castanha malhada. Cada uma dessas penas é perfurada na nervura por uma haste vegetal que sobressai em ambas as extremidades. As hastes são fixadas às penas com fios de algodão branco. Cada haste apresenta-se envolvida, na metade superior, com algodão não fiado disposto em espiral fixado com cera e exibe no topo penas rosas e amarelas, de pequenas dimensões, fixadas, igualmente, com cera preta. As penas e as hastes que compõem cada fileira são unidas entre si, na extremidade inferior e a um terço do comprimento, com fios de algodão branco. As extremidades inferiores das duas fileiras são, ainda, atravessadas e unidas por um cordão de algodão, cujas pontas se encontram pendentes e servem para prender a peça ao suporte e ao indivíduo que a usa. Os pontos de união, a meio comprimento das penas, são visíveis para o exterior assemelhando a pontos de costura. A peça quando se encontra montada assemelha-se, no formato e na estrutura, à cauda de um pavão. A sua forma de abrir e fechar como um leque deriva da união flexível e da sobreposição parcial das penas. Para o diadema estar totalmente montado falta fixar a estrutura de penas aos segmentos de madeira. Fileira da frente altura das penas (cm): 21 Segmento comprimento (cm): 14,3 Segmento largura (cm): 13
  • Origem/Historial: A peça na ficha manual tem a designação de Adorno de cabeça, no entanto após realizar uma pesquisa bibliografia optei por utilizar a denominação de Diadema. De acordo com informações retiradas do Dicionário de Arte Indígena Brasileira de Berta Ribeiro e do livro Suma Etnológica Brasileira vol.3 sobre a classificação dos adornos de plumária este diadema poderá ser de tipo Leque para o occipício. Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira: Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região. Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios. Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil. Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil. Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia. A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.

Bibliografia

  • Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
  • BANDEIRA, Françoise, "Les Indiens Karajá de L'Araguaia" in Geographica N.º 15, 1966
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
  • RIBEIRO, Berta - "Bases para uma classificação dos adornos plumários dos índios do Brasil" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
  • RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986

Exposições

  • Índios da Amazónia

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • Exposição Física
  • Arte do Índio Brasileiro

    • Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
    • Exposição Física

Multimédia

  • 5480.jpg

    Imagem