Técnica: Cestaria - entrecruzado: esta técnica obtém-se pelo cruzamento de duas séries de elementos, a trama e a urdidura, que vão passando perpendicularmente por cima e por baixo uns dos outros.
Dimensões (cm): Alt. 20
Descrição: Aljava de base oval plana em madeira e corpo de formato bitronco-cónico de topos unidos, em fibras vegetais, feito pela técnica do entrecruzado de diagonal aparente.
A base de madeira é revestida e fixada ao corpo da peça com cera preta. O topo da estrutura entrecruzada é rematado com cera preta.
A peça é decorada com três faixas transversais paralelas, duas das quais de linhas oblíquas. O motivo é definido pela própria técnica de execução da peça e é acentuado pelas diferentes tonalidades - castanho-claro e castanho-escuro - das fibras que o compõem.
A aljava apresenta várias fibras de ráfia colocadas em novelo no interior, que acondicionam duas setas dispostas com a parte perfurante para baixo, e com extremidade não perfurante encapada com fibra de sumaúma, para cima.
Base largura (cm): 5
Abertura diâmetro (cm): 6,7
Origem/Historial: A aljava e a zarabatana correspondente encontram-se unidas com fio.
"As pontas de fechas ou as setas de zarabatanas são colocadas na aljava com a parte perfurante, besuntada de curare, para baixo, dentro de um emaranhado de fibra, podendo as setas ser amarradas sequencialmente umas às outras. Acompanha a aljava, frequentemente, um recipiente contendo paina, fibra de sumaúma outra espécie vegetal, usada para encapar as extremidades não perfurantes das setas, bem como um implemento cortante - em geral mandíbula de piranha - para fazer uma incisão na seta, no momento de atirar. Dessa forma, a ponta da seta quebra-se, permanecendo no corpo da vítima. A aljava é provida de uma alça para o seu transporte" (Dicionário de Artesanato Indígena, 1988: 240-242).
A peça poderá ter participado na exposição "Oreretama: a Terra do Índio" organizada pelo Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, que decorreu no Museu da Electricidade, entre 13/11/1997 e 15/02/1998.
Nota informativa sobre a Colecção "Artíndia Manaus":
A colecção "Artíndia Manaus" foi oferecida ao Museu Nacional de Etnologia pela Universidade do Porto, a 5 de Dezembro de 1994, como forma de agradecimento pelo apoio prestado na realização da exposição "Memória da Amazónia: Etnicidade e Territorialidade".
A colecção, constituída por 102 peças, abrange todas as classes de artefactos.
Incorporação: Anterior proprietário: Universidade do Porto
Bibliografia
Museu Histórico Nacional - Oreretama: a Terra do Índio. Rio de Janeiro
RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988