Figura antropomórfica
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AN.852
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Cerâmica
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Autor:
Autor desconhecido
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Dimensões (cm): Alt. 21 x Larg. 16,5
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Descrição: Figura antropomórfica em barro vermelho, representando um homem.
A figura é de formato rectangular com a superfície superior convexa.
Desta destacam-se dois membros inferiores cilindriformes dispostos em ângulo recto e dois membros superiores cilíndricos, o direito com a mão apontar para cima e o esquerdo com a mão sobre o membro inferior esquerdo. As mãos são representadas por saliências cónicas. O umbigo é de formato semiesférico.
A cabeça exibe três sulcos transversais, dois representando os olhos e último a boca. O nariz proeminente, de contorno convexo, apresenta um orifício do qual pende uma chapa de ouro em forma de meia-lua.
A peça exibe vários orifícios, um disposto junto de cada membro, um na mão direita, dois ladeando a boca, e seis no topo da cabeça. Estes orifícios são utilizados para colocar penas.
A peça apresenta manchas. Na parte detrás são visíveis vestígios de uma etiqueta.
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Origem/Historial: Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
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Bibliografia
- KROEBER, A. L. - "Arte indígena da América do Sul" in Suma Etnológica Brasileira, 3º vol. Petrópolis: Vozes/FINEP, 1986
- WILLEY, Gordon R. - "Cerâmica" in Suma Etnológica Brasileira, 2º vol. Petrópolis: Vozes/FINEP, 1986