Vaso

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AN.844
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Autor desconhecido
  • Dimensões (cm): Comp. 17 x Alt. 12 x Larg. 14
  • Descrição: Vaso constituído por quatro pés cilindriformes que sustentam o corpo paralelipipédico, em barro vermelho. O corpo apresenta no topo superior, numa das extremidades, um colo cilíndrico que termina num bordo plano. Do bordo partem dois segmentos semicirculares fixos ao corpo que formam duas asas. Na extremidade oposta destacam-se duas saliências oblongas, dispostas obliquamente e direccionadas para uma cabeça de touro. A cabeça do animal é composta por dois orifícios que figuram os olhos, um rasgo transversal que representa a boca, e dois cornos cónicos. O papo, de formato triangular, exibe na extremidade inferior um círculo em relevo com uma cruz entalhada. A cabeça do touro, as saliências oblongas e o contorno do topo superior do corpo são decorados com círculos entalhados. A peça apresenta vestígios de terra.
  • Origem/Historial: Segundo informações de Becker Donner, contidas na ficha manual, esta peça pode ser datada do século XVI, da transição para o período do colonial. Pode ser da parte Sul do Peru ou da Costa Central. Deve ser autêntica, pois as falsificações não costumam apresentar cabeças de touro. A peça provém da região onde a cultura não morrera mas sofrera estranhas influências. O sangue do sacrifício do touro era levado às herdades na festa do Corpus Chriti. Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira: Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região. Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios. Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil. Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil. Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia. A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.

Bibliografia

  • KROEBER, A. L. - "Arte indígena da América do Sul" in Suma Etnológica Brasileira, 3º vol. Petrópolis: Vozes/FINEP, 1986
  • WILLEY, Gordon R. - "Cerâmica" in Suma Etnológica Brasileira, 2º vol. Petrópolis: Vozes/FINEP, 1986

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