Boneca
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AG.806
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Actividades lúdicas
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Técnica: Base: espiral cosida.
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Dimensões (cm): Alt. 21 x Larg. 9,2
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Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, adornos e missangas várias, representando um penteado.
A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras veg...
Ver maisetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais.
Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se um fio de tecido com um padrão axadrezado nas cores vermelha, preta e creme, amarrado atrás. Dobrado sobre esse fio, encobrindo-o, encontra-se tanto na parte da frente como na de trás, panos com padrão semelhante ao do fio anterior, onde o da frente apresenta um xadrez mais largo que o de trás. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence.
A três quartos da altura da boneca, dois destaques semi-esféricos constituídos por um material vegetal escuro envolvido por fibras vegetais torcidas aplicadas à malha, representam os seios. Estes ostentam fios torcidos de fibras vegetais, que os cruzam, representando um adorno tradicional do grupo a que pertence.
Acima dos seios, aparecem três voltas de fios de fibras vegetais torcidas, representando um colar tradicional do grupo a que pertence.
A extremidade superior da boneca, através de um entrançamento transversal da malha, figura a cabeça.
A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas atadas nas extremidades, que partindo do topo da cabeça estendem-se até às costas da boneca, cobrindo toda a parte posterior desta. No topo apresenta cabelo natural. Posteriormente segue-se um revestimento entrançado decorado, no início com duas duplas fiadas de missangas brancas e vermelhas dispostas diagonalmente, a meio com dois botões brancos, e no final novamente fiadas duplas de missangas brancas e pretas, também dispostas diagonalmente. Presas no centro e ao longo deste revestimento e pendendo para ambos os lados surgem várias fiadas de missangas, nas cores branca, vermelha, azul, preta, rosa, e também algumas sementes.
A boneca apresenta também um fio de fibras vegetais, à altura do pescoço da boneca, que envolve transversalmente o penteado, prendendo as fiadas.
Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura.
Diâmetro do toro envolvido pela malha: 6 cm Fechar
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Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro).
O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um das principais produtoros dest...
Ver maises objectos.
António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969.
Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função.
Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação:
"Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)
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Bibliografia
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