Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AG.807
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida. Penteado: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 21 x Larg. 10,1
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais entrançadas e missangas, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se três voltas de fibras vegetais enroladas. Dobrada sobre essas voltas, encobrindo-as, encontra-se na parte da frente, uma pele com pêlos castanhos. Na parte de trás, entre a malha e as voltas encontra-se outra pele, orlada em baixo com missangas vermelhas e nos cantos com missangas brancas, e com um botão branco aplicado. Envolvendo ambas as peles encontra-se duas voltas de um outro fio de fibras vegetais torcidas. Ambas as peles representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A três quartos da altura da boneca, dois destaques cónicos revestidos pela mesma malha e a ela aplicados, representam os seios. Estes ostentam em cima fios torcidos de fibras vegetais, representando um adorno tradicional do grupo a que pertence. Por cima destes fios surge um colar feito de fibras vegetais, preso atrás. O colar apresenta como pendente, entre os seios, uma concha, figurando um adorno de peito tradicional ao grupo a que pertence. Acima deste adorno de peito surgem duas voltas de fibras vegetais entrançadas, amarradas atrás, e com as extremidades entrançadas pendentes até à cintura da boneca, representando um colar tradicional ao grupo a que pertence. A extremidade superior da boneca figura a cabeça. O rosto exibe duas tachas metálicas verdes, figurando os olhos. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por três tranças de fibras vegetais formando três “U” longitudinalmente no topo da cabeça, sendo estes circunscritos por várias voltas de uma fiada dupla de missangas brancas, aplicadas à cabeça pela técnica da espira cosida. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 6,7 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a esta ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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