Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AG.808
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 21,5 x Larg. 9,1
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, adornos e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se um fio de tecido listado com as cores cinzenta e creme, amarrado à frente. Dobrado sobre esse fio, encobrindo-o, encontra-se tanto na parte da frente como na de trás, um pano do mesmo padrão que o do fio anterior. O da frente apresenta as listas dispostas verticalmente e o de trás, dispostas na horizontal. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A malha que envolve o corpo da boneca apresenta pontualmente missangas brancas, coladas por uma pasta gordurosa escura. A três quartos da altura da boneca, dois destaques semi-esféricos constituídos por um material vegetal envolvido por enrolamentos de fibras vegetais torcidas aplicados à malha, representam os seios. Estes ostentam fios torcidos de fibras vegetais, que os cruzam, representando um adorno tradicional do grupo a que pertence. Acima dos seios, aparecem aplicadas à malha, várias voltas de fios de fibras vegetais torcidas, representando um colar tradicional do grupo a que pertence. Na extremidade superior da boneca, através de um enrolamento transversal da malha, figura a cabeça. O rosto exibe duas tachas metálicas verdes, figurando os olhos. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas ou entrançadas, que partindo do topo da cabeça estendem-se até às costas da boneca, cobrindo toda a parte posterior desta. No topo apresenta cabelo natural, revestido por uma composição geométrica triangular, iniciando-se com a base deste, composta de uma fila de missangas pretas, seguidas por missangas brancas. Posteriormente a esta composição segue-se um revestimento entrançado decorado com uma fiada dupla de missangas verdes e brancas, e um botão branco, apresentando também três alfinetes metálicos presos transversalmente. Entre a composição geométrica e o entrançado encontram-se presas várias fiadas de missangas brancas e pretas, três das quais circulares, onde a central envolve essa mesma composição. Por baixo de uma das fiadas circulares laterais pendem dois outros conjuntos de fiadas semelhantes, e, do outro lado, pende uma fiada dupla com missangas brancas, amarelas, vermelhas, verdes e azuis, terminando esta também numa composição triangular feita por missangas brancas. A meio do entrançado, na zona das missangas, pendem também de cada lado, duas fiadas de missangas, sendo que num dos lados as cores branca e verde predominam e no outro a branca e a vermelha. A boneca apresenta também um fio de fibras vegetais, à altura do pescoço da boneca, que envolve transversalmente o penteado, prendendo as fiadas. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 5,9 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a esta ser uma das principais produtoras destas peças. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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  • CAMERON, Elisabeth - Isn't s/he a Doll? Play and Ritual in African Sculpture: UCLA Fowler of Cultural History, 1996
  • CARREIRA, António - Missão de Prospecção de Material Etnográfico: Relatório de Campanha em Moçambique e Angola. Lisboa: Ministério do Ultramar, Junta de Investigações do Ultramar, 1967
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