Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.049
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 20 x Larg. 10,6
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças verticais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se amarrado à frente um fio de fibras vegetais torcidas. Dobrado sobre essa tira, encobrindo-a, encontra-se tanto na parte da frente e na de trás, um pano, sendo o da frente feito de um tecido listado verticalmente, alternando entre as cores vermelha, roxa, preta e azul e o de trás feito de um tecido azul. Os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A três quartos da altura da boneca, dois destaques semi-esféricos aplicados à malha, representam os seios. Cruzando os seios e também as costas surge uma fiada de missangas de semente alternadas com missangas brancas, verdes e amarelas, representando um adorno tradicional do grupo a que pertence. Acima, aparece aplicado à malha três voltas de fibras vegetais entrançadas, unidas transversalmente por um fio de fibras vegetais torcidas, e dois botões brancos aplicados ao colar, um de cada lado do fio, representando um colar tradicional do grupo a que pertence. Um pouco mais acima, no acabamento enrolado da malha, figura a cabeça. O rosto exibe duas tachas metálicas verdes figurando os olhos. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas, sugerindo tranças, que partindo do topo da cabeça estendem-se até meio do corpo da boneca, cobrindo a parte posterior deste. Algumas das tranças apresentam uma missanga branca ou conjuntos de missangas brancas e amarelas ou ainda conjuntos de missangas verdes com sementes. Frontalmente, no topo da cabeça, a boneca apresenta transversalmente uma zona ornamentada com cabelo natural e uma composição geométrica em missangas brancas e vermelhas, e finalizada com uma fila dupla de missangas pretas e brancas, representando um adorno frontal tradicional do grupo a que pertence. Posteriormente a este adorno, apresenta, centralmente, uma trança de fibras vegetais, que começa na testa e estende-se até meio das costas, e é adornada com uma fila de seis botões brancos. No início desta trança surge uma fiada circular de missangas brancas e pretas que a envolve, apresentando na parte superior três segmentos transversais decorados com missangas brancas e uma semente cada. Ao longo desta trança pendem transversal e diametralmente séries de fiadas de sementes alternadas com missangas brancas. Uma dessas fiadas apresenta uma corrente metálica prateada. Entre o segundo e o terceiro botão encontra-se preso um fecho éclair. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 5,9 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051) Informação constante na etiqueta: "Boneca símbolo da fertilidade. Representação fiel do tipo de penteado do planalto. Utilizado por raparigas solteiras, viuvas e mulheres estéreis procurando assim conceberem."

Bibliografia

  • BASTIN, Marie-Louise - Escultura angolana. Memorial de culturas. Lisboa: MNE, 1994
  • BAUMANN, Hermann; Beatrx Heintze - Die Ethnographische Sammlung aus Südwest-Angola im Museum von Dundo, Angola (1954). Katalog/A Colecção Etnográfica do Sudoeste de Angola no Museu do Dundo, Angola (1954). Catálogo. Koln: Rudiger Koppe Verlag, 2002
  • CAMERON, Elisabeth - "Corpos futuros: as bonecas do Sudoeste Angolano" in: Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova Iorque: Museum for African Art, 2000
  • CAMERON, Elisabeth - Isn't s/he a Doll? Play and Ritual in African Sculpture: UCLA Fowler of Cultural History, 1996
  • CARREIRA, António - Missão de Prospecção de Material Etnográfico: Relatório de Campanha em Moçambique e Angola. Lisboa: Ministério do Ultramar, Junta de Investigações do Ultramar, 1967
  • DELACHAUX, Theodore; Thiebaud, Ch-E - Pays et Peuples d'Angola: etudes, souvenirs et photos de la deuxième mission scientifique Suisse en Angola. Neuchatel: Editions Victor Attinger, 1934
  • ESTERMANN, Carlos - Álbum de Penteados do Sudoeste de Angola. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
  • ESTERMANN, Carlos - Etnografia do Sudoeste de Angola, vol 2: Grupo Étnico Nhaneca-Humbe. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
  • ESTERMANN, Carlos - Penteados, Adornos e Trabalhos das Muílas. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1970
  • GABUS, Jean - Guide du Musée d'Ethnographie de Neuchâtel. Neuchâtel: Musée d'Ethnographie, 1970
  • JORDÁN, Manuel - "Hair Matters in South Africa" in Hair in African Art and Culture. New York: Museum for African Art, 2000
  • LANG, A.; Tastevin, C. - La Tribu dês Va-Nyaneka, Mission Rohan-Chabot, Tome V, Ethnographie. Corbéil: Imprimérie Crété1937
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de (*) - Apontamentos sobre Museologia: Museus Etnológicos. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1971
  • Poppen: spel en ritueel/Dolls: for play and ritual. Berg an Dal: Afrika Museum, 1995

Multimédia

  • 6365.jpg

    Imagem