Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.055
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 25,5 x Larg. 11,7
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido em quase toda a sua totalidade, por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, cabelo natural e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim, é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro próxima da extremidade inferior, por meio do revestimento de malha de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Na parte superior da base um fio de tecido castanho, estampado com as cores preta e vermelha, envolve a cintura da boneca. Dobrado sobre este fio, encobrindo-o, encontra-se tanto na parte da frente, como na de trás, um pano semelhante àquele que os prende. A vestimenta representa o traje tradicional do grupo a que pertence. A três quartos da altura da boneca, surgem duas saliências semi-esféricas feitas de fibras vegetais enroladas, aplicadas à malha, representando os seios. A extremidade superior do toro figura a cabeça. O rosto exibe duas tachas metálicas verdes figurando os olhos. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas, figurando tranças, que partindo do topo da cabeça estendem-se até às costas da boneca. Algumas destas tranças apresentam enfiadas missangas brancas, verdes, ou amarelas. Na testa inicia-se um revestimento entrançado com cabelo natural, que acompanha o penteado, sendo adornado centralmente por uma fiada dupla de missangas brancas, verdes e amarelas, adorno este que termina com uma triangulação feita de missangas amarelas. No final o revestimento bifurca em duas tranças, tendo cada uma três missangas brancas enfiadas. No topo do revestimento, surgem, pendendo para a testa, duas curtas fiadas de missangas brancas e verdes. Um pouco posteriormente, apresentam-se, presas transversalmente e de ambos os lados, uma fiada dupla de missangas azuis e brancas, pendendo por baixo de cada uma, uma curta fiada de missangas brancas, que se abrem em dois segmentos. A meio apresenta novamente presas transversalmente e de ambos os lados, uma fiada dupla de missangas azuis e brancas, e, um pouco mais abaixo, surge um outro par de fiadas de missangas brancas, com dois segmentos que bifurcam. Toda a peça apresenta-se untada com uma substância gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 5,7 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051) Informação constante na etiqueta: "Boneca símbolo da fertilidade. Utilizada por raparigas solteiras, mulheres estéreis e viúvas transportam ao dorso com o ? de chamar a concepção."

Bibliografia

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