Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.057
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 17,7 x Larg. 9
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, cabelo natural entrançado e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se uma tira de pele (cabedal?) branca. Dobrado sobre esse fio, encobrindo-o, encontra-se na parte da frente, um pano castanho escuro, estampado a creme. Na parte de trás encontra-se dobrado um pano escuro, com pêlos amarelos. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A três quartos da altura da boneca, dois destaques cónicos feitos por um enrolamento de fibras vegetais torcidas aplicadas à malha, representam os seios. Na extremidade superior da boneca, através de um enrolamento transversal da malha, figura a cabeça. O rosto exibe uma tacha metálica verde, figurando um olho. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas, sugerindo tranças, que partindo do topo da cabeça estendem-se a toda a altura da boneca, cobrindo a parte posterior desta. Algumas das tranças são finalizadas por combinações de missangas brancas, outras por enrolamentos das fibras vegetais. Centralmente, iniciando-se na testa e estendendo-se também a toda a altura da boneca, apresenta um revestimento entrançado feito de uma substância pastosa, castanha escura, imbricada com cabelo natural, adornada por uma fila de três botões brancos, e finalizada com duas fiadas de missangas brancas e verdes. No topo e a meio desta trança pendem, de ambos os lados, duas fiadas de missangas brancas, acompanhando a forma do penteado. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 5,6 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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