Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.063
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 17,7 x Larg. 9
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, adornos e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se um fio de fibras vegetais, amarrado à frente. Dobrado sobre esse fio, encobrindo-o, encontra-se na parte da frente, um pano escuro estampado com motivos geométricos a vermelho e amarelo, e, na parte de trás, um pano azul escuro estampado com motivos geométricos vários a creme. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A meio da altura da boneca, uma faixa de tecido escuro, com duas saliências frontais, amarrada nas costas, representam os seios. Acima dos seios, aparecem fibras vegetais entrançadas, representando um colar tradicional do grupo a que pertence. A extremidade superior da boneca, através de um entrançamento transversal da malha, figura a cabeça. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas atadas nas extremidades, que partindo do topo da cabeça, estendem-se até ao fim das costas da boneca, cobrindo toda a parte posterior desta. No topo apresenta cabelo natural. Posteriormente segue-se um entrançamento de alguns dos fios de fibras, decorados com dois botões brancos. Por debaixo do primeiro botão encontram-se presas várias fiadas de missangas brancas e pretas, sendo que uma delas toma uma forma circular, sobrepondo-se à zona do cabelo natural, vindo depois, entrecruzadamente, prender-se debaixo do segundo botão. Debaixo deste botão pendem aos pares fiadas de missangas brancas; brancas e vermelhas; e brancas, amarelas e azuis. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 4,1 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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