Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.576
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 26,4 x Larg. 14,1
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, adornos e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças verticais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se uma tira de pele (cabedal?), amarrado à frente e, parcialmente envolvendo a cintura, fiadas entrecruzadas, de missangas brancas, presas juntas por um fio, à frente. Dobrado sobre ambos os fios, encobrindo-os, encontra-se na parte da frente, um pano com listas verticais, alternando entre as cores azul, creme, verde e vermelha. Atrás, também dobrado sobre ambos os fios, encontra-se um outro pano, azul, estampado com motivos diversos a creme. Os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A três quartos da altura da boneca, dois destaques semi-esféricos feitos de fibras vegetais enroladas aplicadas à malha, representam os seios. Estes ostentam fios torcidos de fibras vegetais, que os cruzam, representando um adorno tradicional do grupo a que pertence. A extremidade superior da boneca figura a cabeça. Sobre um entrançado transversal, apresentam-se duas tachas metálicas douradas, figurando os olhos. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas atadas nas extremidades, que partindo do topo da cabeça, estendem-se até às costas da boneca, cobrindo toda a parte posterior desta. Alguns dos fios apresentam no final uma missanga, de cor azul, vermelha ou verde. No topo da cabeça surge um revestimento de cabelo natural e, posteriormente, um entrançado duplo de fibras vegetais, que acompanha o penteado. Este entrançado duplo apresenta-se decorado em cada uma das tranças por fiadas circulares entrecruzadas de missangas brancas, que se prolongam em ambas as extremidades, sendo que tanto no início do revestimento como no fim, surgem dois alfinetes metálicos prateados, prendendo transversalmente ambas as fiadas. Unindo as duas tranças surge uma fila de três botões brancos. Ambas as tranças finalizam com uma curta fiada de missangas brancas intervaladas com vermelhas. No início deste entrançado duplo apresentam-se algumas tachas metálicas verdes. Presas, entre elas, surgem duas curtas fiadas de missangas vermelhas, brancas, verdes, amarelas e azuis, que pendem sobre a zona com cabelo natural. De ambos os lados desta zona surgem também pendentes fiadas de missangas das mesmas cores que as anteriores, repetindo-se na zona das tachas e à altura do primeiro botão. Entre estas últimas surge presa dobrada, de ambos os lados, uma corrente metálica prateada, cujas extremidades apresentam missangas brancas ou azuis. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 6,8 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 1966, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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  • CAMERON, Elisabeth - Isn't s/he a Doll? Play and Ritual in African Sculpture: UCLA Fowler of Cultural History, 1996
  • CARREIRA, António - Missão de Prospecção de Material Etnográfico: Relatório de Campanha em Moçambique e Angola. Lisboa: Ministério do Ultramar, Junta de Investigações do Ultramar, 1967
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