Boneca
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AH.582
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Actividades lúdicas
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Técnica: Base: espiral cosida.
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Dimensões (cm): Alt. 20 x Larg. 9,9
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Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais torcidas, cabelo natural e missangas várias, representando um penteado.
A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças verticais.
Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se um fio de tecido azul escuro. Dobrado sobre esse fio, encobrindo-o, encontra-se na parte da frente, um pano azul escuro, feito de um tecido estampado com motivos florais a cinzento. Na parte de trás encontra-se dobrado um pano azul, que na parte interior se apresenta estampado com motivos florais e geométricos a cinzento. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence.
A três quartos da altura da boneca, dois destaques cónicos feitos por enrolamentos de fibras vegetais torcidas, representam os seios.
Na extremidade superior da boneca, através de um enrolamento transversal da malha, figura a cabeça.
A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais torcidas, sugerindo tranças, que partindo do topo da cabeça estendem-se até às costas da boneca, cobrindo a parte posterior desta. Algumas das tranças são finalizadas por missangas brancas, verdes ou amarelas. Centralmente, iniciando-se na testa e estendendo-se até às costas, surge um revestimento entrançado feito de uma substância pastosa, castanha escura, imbricada com cabelo natural, e adornada no topo por uma fiada dupla de missangas brancas. No início e a meio deste revestimento, pendem para ambos os lados e transversalmente, curtas fiadas de missangas brancas.
Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura.
Diâmetro do toro envolvido pela malha: 5,2 cm
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Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro).
O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos.
António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969.
Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função.
Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação:
"Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)
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Bibliografia
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- ESTERMANN, Carlos - Álbum de Penteados do Sudoeste de Angola. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
- ESTERMANN, Carlos - Etnografia do Sudoeste de Angola, vol 2: Grupo Étnico Nhaneca-Humbe. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
- ESTERMANN, Carlos - Penteados, Adornos e Trabalhos das Muílas. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1970
- GABUS, Jean - Guide du Musée d'Ethnographie de Neuchâtel. Neuchâtel: Musée d'Ethnographie, 1970
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