Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.583
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida.
  • Dimensões (cm): Alt. 22,5 x Larg. 8,2
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, revestido por uma malha torcida, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fiadas de canudos de cana e missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida. Encontra-se aplicada ao toro por meio do revestimento de malha, de fibras vegetais torcidas, dispostas paralela e transversalmente, formando tranças diagonais. Na parte superior da base, envolvendo a cintura da boneca, apresenta-se um fio de tecido azul escuro. Dobrado sobre esse fio, encobrindo-o, encontra-se tanto na parte da frente com na de trás, um pano azul escuro, que na parte interior apresenta-se estampado com motivos florais e geométricos a cinzento. Uma das dobras de cada um dos panos é embainhada à mão a linha castanha. Ambos os panos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. A três quartos da altura da boneca, dois destaques cónicos feitos por enrolamentos de fibras vegetais torcidas, representam os seios. Estes ostentam fios torcidos de fibras vegetais, que os cruzam, representando um adorno tradicional do grupo a que pertence. Acima, aparece aplicado à malha três voltas de fibras vegetais entrançadas, representando um colar tradicional do grupo a que pertence. Entre o colar e a extremidade superior da boneca, figura a cabeça. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fiadas de canudos de cana, que partindo do topo da cabeça estendem-se até às costas da boneca, cobrindo a parte posterior desta. Os canudos são enfiados em tiras de tecido escuro, empastados de uma substância gordurosa escura, e as fiadas são finalizadas por enrolamentos da tira de tecido, igualmente empastados. No topo e transversalmente a boneca apresenta uma saliência feita em fibras vegetais empastadas na mesma substância, adornada centralmente por uma fiada dupla de missangas brancas e amarelas, e terminando com uma fiada de canudos pendente em cada lado. Toda a peça apresenta-se untada com uma pasta gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 4,5 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, viúvas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

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