Boneca

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AH.581
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Base: espiral cosida de armação simples.
  • Dimensões (cm): Alt. 27 x Larg. 20
  • Descrição: Boneca constituída por um toro cilindriforme de madeira escura, com a extremidade inferior assente numa base em forma de campânula e a extremidade superior exibindo fibras vegetais enroladas e fiadas de missangas várias, representando um penteado. A base, constituída por voltas de feixes de capim é feita pela técnica de espiral cosida de armação simples, revestidos em quase toda a sua totalidade por feixes transversais, e finalizando com um enrolamento de fibras vegetais. Encontra-se aplicada ao toro por meio de fios de fibras vegetais, atravessando longitudinalmente a base e presos a uma tira de pele (couro?) que se encontra na parte superior da base, sendo esta pontualmente enfiada nesta. Próximo da extremidade inferior o toro de madeira apresenta uma incisão que o percorre transversalmente. Acima desta tira de pele, surgem duas voltas de um tecido escuro, amarrado na frente da boneca. Dobrado sobre estas voltas, encobrindo-as, apresenta-se na frente um pano de cor vermelha escura. Na parte de trás, aplicado às mesmas voltas, encontra-se uma pele com pêlos pretos, onde foram aplicados três séries de dois botões brancos dispostos em cada extremo da pele. A pele encontra-se aplicada através de um botão branco. Ambos os elementos representam o traje tradicional do grupo a que pertence. Mais acima, surgem várias voltas de capim torcidas, representando um adorno tradicional ao grupo a que a boneca pertence. A três quartos da sua altura, a boneca apresenta atado um cordão de pele (couro?) escuro que serve para transportar a boneca. É amarrado à frente e tem ambas as extremidades pendentes. Na extremidade superior da boneca surge uma incisão transversal ao toro, no qual se inicia um revestimento de malha de fibras vegetais, figurando a cabeça. A boneca apresenta um penteado tradicional do grupo a que pertence. Este é constituído por fios de fibras vegetais enroladas, sugerindo tranças, que partindo do topo da cabeça estendem-se até meio das costas da boneca, cobrindo a parte posterior deste. Por cima destas tranças surgem várias fiadas circulares de missangas brancas, dispostas transversalmente até meio do penteado. Em cima destas, centralmente, começando na nuca e acompanhando o penteado, surge uma trança de fibras vegetais, adornada com uma fila de três botões brancos. No início este revestimento apresenta várias curtas fiadas de missangas, pendendo sobre a testa, a meio e até ao final, fiadas circulares de missangas brancas e amarelas que pendem para ambos os lados. Todas as fiadas de missangas apresentam-se presas por fios de fibras vegetais que percorrem longitudinalmente, próximo do topo, o penteado. Toda a peça apresenta-se untada com uma substância gordurosa escura. Diâmetro do toro envolvido pela malha: 16 cm
  • Origem/Historial: A colecção de bonecas com uma tipologia "mwila" consiste em 42 objectos, tendo sido adquiridos por diferentes colectores e em diferentes contextos. Estas bonecas inserem-se numa colecção mais vasta, de 83 objectos, todos eles referentes ao Sudoeste angolano (bonecas kwanyama, bonecas carolo de milho e bonecas mwila de barro). O nome desta tipologia advém do grupo cultural mwila, devido a este ser um dos principais produtores destes objectos. António Carreira adquiriu 60 bonecas do Sudoeste angolano, trinta das quais pertencente à tipologia "mwila", colectadas em contexto de Missões de Prospecção de Material Etnográfico, dirigidas pelo Museu de Etnologia do Ultramar, efectuadas entre 1965 e 1969. Todas as bonecas "mwila" colectadas por António Carreira referem amuleto, amuleto de fertilidade ou amuleto de fecundidade, como função. Em 1965 e 66, Carreira anexa a seguinte informação: "Confeccionada com fibra de Mupanda (árvore frondosa). Ao cabelo da boneca chamam Maldi, por ser fibra. Ao cabelo humano chamam Nohuki. É usado por solteiras, vivas e estéreis, no dorso, como se fosse uma criança de mama. O tipo de cabeleira das bonecas reproduz o das mulheres do planalto." (Ficha de inventário de AH.051)

Bibliografia

  • BASTIN, Marie-Louise - Escultura angolana. Memorial de culturas. Lisboa: MNE, 1994
  • BAUMANN, Hermann; Beatrx Heintze - Die Ethnographische Sammlung aus Südwest-Angola im Museum von Dundo, Angola (1954). Katalog/A Colecção Etnográfica do Sudoeste de Angola no Museu do Dundo, Angola (1954). Catálogo. Koln: Rudiger Koppe Verlag, 2002
  • CAMERON, Elisabeth - "Corpos futuros: as bonecas do Sudoeste Angolano" in: Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova Iorque: Museum for African Art, 2000
  • CAMERON, Elisabeth - "Embodied Futures: The Dolls of Southwestern Angola" in: In the Presence of the Spirits: African Art from the National Museum of Ethnology. New York: Museum for African Art, 2000
  • CAMERON, Elisabeth - Isn't s/he a Doll? Play and Ritual in African Sculpture: UCLA Fowler of Cultural History, 1996
  • CARREIRA, António - Missão de Prospecção de Material Etnográfico: Relatório de Campanha em Moçambique e Angola. Lisboa: Ministério do Ultramar, Junta de Investigações do Ultramar, 1967
  • DELACHAUX, Theodore; Thiebaud, Ch-E - Pays et Peuples d'Angola: etudes, souvenirs et photos de la deuxième mission scientifique Suisse en Angola. Neuchatel: Editions Victor Attinger, 1934
  • ESTERMANN, Carlos - Álbum de Penteados do Sudoeste de Angola. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
  • ESTERMANN, Carlos - Etnografia do Sudoeste de Angola, vol 2: Grupo Étnico Nhaneca-Humbe. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960
  • ESTERMANN, Carlos - Penteados, Adornos e Trabalhos das Muílas. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1970
  • GABUS, Jean - Guide du Musée d'Ethnographie de Neuchâtel. Neuchâtel: Musée d'Ethnographie, 1970
  • JORDÁN, Manuel - "Hair Matters in South Africa" in Hair in African Art and Culture. New York: Museum for African Art, 2000
  • LANG, A.; Tastevin, C. - La Tribu dês Va-Nyaneka, Mission Rohan-Chabot, Tome V, Ethnographie. Corbéil: Imprimérie Crété1937
  • Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia (roteiro). Lisboa: Museu Nacional de Etnologia, 2002
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de (*) - Apontamentos sobre Museologia: Museus Etnológicos. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1971
  • Poppen: spel en ritueel/Dolls: for play and ritual. Berg an Dal: Afrika Museum, 1995

Exposições

  • In the Presence of Spirits: African Art from the National Museum of Ethnology, Lisbon

    • Museum for African Art, Nova York
    • Exposição Física
  • In the Presence of Spirits: African Art from the National Museum of Ethnology, Lisbon

    • Flint Institute of Arts, Michigan
    • Exposição Física
  • In the Presence of Spirits: African Art from the National Museum of Ethnology, Lisbon

    • National Museum of African Art, The Smithsonian Institution, Washington D.C.
    • Exposição Física
  • In the Presence of Spirits: African Art from the National Museum of Ethnology, Lisbon

    • Birmingham Museum of Art, Alabama
    • Exposição Física
  • Na Presença dos Espíritos: arte africana do Museu Nacional de Etnologia

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • 27/2/2002 a 23/3/2003
    • Exposição Física

Multimédia

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