Faca
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: BF.839
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Equipamento de uso doméstico
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Dimensões (cm): Alt. 22 x Larg. 2,5
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Descrição: Faca de cortar papel talhada numa só peça em madeira de ébano, constituída por um cabo encimado com uma figura antropomórfica masculina sentada.
A figura é constituída por pés rectangulares cujos dedos são definidos por traços incisos, membros, tronco e pescoço cilindriformes, e cabeça ovóide.
Os membros inferiores apresentam-se dobrados e encostados ao tronco, e envolvidos pelos membros superiores, encontrando-se a mão direita segurando os joelhos e a mão esquerda amparando o membro inferior do mesmo lado.
A cabeça apresenta o rosto com dois entalhes elipsoidais que figuram os olhos, nariz e lábios proeminentes e duas saliências dispostas uma em cada lado da face de formato semi-circular, figurando as orelhas.
A cabeça é encimada por um chapéu de cipaio, de formato cilíndrico, apresentando do lado direito da figura um destaque paralelepipédico com traços incisos figurando o berloque dos chapéus de cipaio.
O rosto exibe as escarificações típicas do grupo étnico maconde, com motivos geométricos incisos que consistem em linhas angulares paralelas, segmentos rectilíneos paralelos e linhas em zigue-zague.
A figura encontra-se sentada numa base de secção em elipse que faz a ligação à lâmina da faca.
A lâmina, de um gume, apresenta a zona do gume de contornos convexos e rectilíneo na outra aresta da lâmina, com a extremidade pontiaguda.
Comprimento do cabo: 11 cm
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Origem/Historial: O núcleo de peças, com data de incorporação de Dezembro de 2005, cujo colector é Manuel Viegas Guerreiro, consiste em 22 peças recebidas pelo Museu Nacional de Etnologia por disposição testamentária de Maria Conceição Viegas Correia Guerreiro, esposa do colector.
O referido conjunto deu entrada no Museu Nacional de Etnologia em 14 de Janeiro de 2005, tendo sido formalizado nesta data o acto de recepção do mesmo.
Este núcleo é composto por 18 esculturas e 4 facas de cortar papel, recolhidos entre o grupo étnico Maconde.
Moçambique é famoso em todo o mundo por sua escultura em madeira, geralmente conhecida como Arte Maconde.
As suas esculturas normalmente retractam animais e seres humanos.
Esta arte é produzida pelo próprio povo e usa uma madeira preta, o ébano, localmente designado por "mpingo". A dureza, a durabilidade e a cor fazem desta madeira, o material perfeito para esculpir.
Este tipo de escultura é tanto tradicional como contemporâneo, reflectindo o seu passado tribal e também a vida urbana, utilizando seus mitos e histórias como inspiração.
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Incorporação: Anterior Proprietário: Maria da Conceição Guerreiro
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Bibliografia
- DIAS, Jorge; Dias, Margot (*) - Os Macondes de Moçambique: cultura material, vol. 2. Lisboa: JIU/CEAC, 1964
- DIAS, Jorge; Dias, Margot (*) - Os Macondes de Moçambique: aspectos históricos e económicos, vol.1. Lisboa: JIU/CEAC, 1964
- DIAS, Jorge; Margot Dias (*) - Os Macondes de Moçambique: vida social e ritual, vol.3. Lisboa: JIU/CEAC, 1970
- DIAS, Jorge; Margot Dias - "Moçambique" in Arte Popular de Portugal - Ilhas Adjacentes e Ultramar, Vol. 3 (Dir.Fernando Pires de Lima). Lisboa: Editorial Verbo, 196?
- GUERREIRO, Manuel Viegas(*) - Os Macondes de Moçambique: sabedoria, língua, literatura e jogos, vol.4. Lisboa: JIU/CEAC, 1966
- RITA-FERREIRA, António - Agrupamento e Caracterização Étnica dos Indigenas de Moçambique. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1958