Escultura

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BF.830
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 8,5 x Alt. 23 x Larg. 5,3
  • Descrição: Escultura talhada numa só peça em madeira de ébano, representando uma figura antropomórfica feminina a pilar. A figura, assente sobre uma base elipsoidal plana, é constituída por pés rectangulares cujos dedos são definidos por traços incisos, membros, tronco e pescoço cilindriforme e cabeça ovóide. O tronco, ostentando uma capulana que se estende desde o peito até aos joelhos, apresenta uma elevação arredondada representando os seios. A capulana exibe traços incisos nas margens representando a orla do tecido e atrás uma flor. Os membros superiores, flectidos, exibem as mãos segurando o pilão, cilindriforme, que se eleva acima do plano superior da cabeça da figura. O rosto, voltado para o lado esquerdo da figura, apresenta dois entalhes fusiformes que figuram os olhos, nariz e lábios proeminentes, duas saliências dispostas uma em cada lado da face de formato oval figurando as orelhas, e cabelo saliente. Entre a boca e o nariz o objecto exibe orifício circular que representa o botoque. O rosto exibe as escarificações típicas do grupo étnico maconde, com motivos geométricos que consistem em linhas angulares paralelas, segmentos rectilíneos paralelos e linhas em zigue-zague. O almofariz é constituído por base plana e circular, pé tronco-cónico e corpo cilindriforme de contornos côncavos, exibindo dois aros semi-circulares em ressalto.
  • Origem/Historial: O núcleo de peças, com data de incorporação de Dezembro de 2005, cujo colector é Manuel Viegas Guerreiro, consiste em 22 peças recebidas pelo Museu Nacional de Etnologia por disposição testamentária de Maria Conceição Viegas Correia Guerreiro, esposa do colector. O referido conjunto deu entrada no Museu Nacional de Etnologia em 14 de Janeiro de 2005, tendo sido formalizado nesta data o acto de recepção do mesmo. Este núcleo é composto por 18 esculturas e 4 facas de cortar papel, recolhidos entre o grupo étnico Maconde. Moçambique é famoso em todo o mundo por sua escultura em madeira, geralmente conhecida como Arte Maconde. As suas esculturas normalmente retractam animais e seres humanos. Esta arte é produzida pelo próprio povo e usa uma madeira preta, o ébano, localmente designado por "mpingo". A dureza, a durabilidade e a cor fazem desta madeira, o material perfeito para esculpir. Este tipo de escultura é tanto tradicional como contemporâneo, reflectindo o seu passado tribal e também a vida urbana, utilizando seus mitos e histórias como inspiração.
  • Incorporação: Anterior Proprietário: Maria da Conceição Guerreiro

Bibliografia

  • DIAS, Jorge; Dias, Margot (*) - Os Macondes de Moçambique: cultura material, vol. 2. Lisboa: JIU/CEAC, 1964
  • DIAS, Jorge; Dias, Margot (*) - Os Macondes de Moçambique: aspectos históricos e económicos, vol.1. Lisboa: JIU/CEAC, 1964
  • DIAS, Jorge; Margot Dias (*) - Os Macondes de Moçambique: vida social e ritual, vol.3. Lisboa: JIU/CEAC, 1970
  • DIAS, Jorge; Margot Dias - "Moçambique" in Arte Popular de Portugal - Ilhas Adjacentes e Ultramar, Vol. 3 (Dir.Fernando Pires de Lima). Lisboa: Editorial Verbo, 196?
  • GUERREIRO, Manuel Viegas(*) - Os Macondes de Moçambique: sabedoria, língua, literatura e jogos, vol.4. Lisboa: JIU/CEAC, 1966
  • RITA-FERREIRA, António - Agrupamento e Caracterização Étnica dos Indigenas de Moçambique. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1958

Multimédia

  • 6698.jpg

    Imagem