Rei Mago (Baltazar)

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AR.068
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
  • Dimensões (cm): Alt. 11,3 x Larg. 5
  • Descrição: Figura de rei mago em barro policromado, representação do rei mago Baltazar. A figura assenta numa base plana rectangular, de tonalidade verde, branca e castanha, com rebordo laranja e linhas vermelhas. O Rei Mago apresenta duas botas altas, dois membros inferiores e o tronco cilindriformes. Os membros superiores apresentam-se arqueados para dentro, com as mãos a segurar uma caixa ovóide, de cor amarela, podendo figurar uma oferenda. As mãos apresentam linhas incisas representando os dedos. O pescoço é de formato cilíndrico. A cabeça apresenta dois olhos, o nariz é largo e triangular em relevo e a boca encontra-se aberta mostrando os dentes, apresentando lábios grossos delineados e enchidos com cor vermelha. Na cabeça figura ainda cabelo de cor negra picotado para figurar carapinha, e encimado por uma corôa de bicos arredondados de tonalidade amarela. A figura ostenta botas de tonalidade negra decoradas com dois adornos de formato elipsoidal de tonalidade laranja e meias brancas. Apresenta ainda, um vestido laranja, decorado com folhos amarelos na extremidade da saia e nos punhos e uma fita na cintura com as pontas pendentes e a fazer nó na parte frontal do tronco, de cor igualmente amarela. A saia apresenta ainda, linhas incisas horizontais figurando pregas. O vestido ostenta um colarinho alto e uma gola de tonalidade branca com pontos de cor negra, figurando pêlo e decorada com uma corda de cor amarela, que faz nó na parte frontal do peito, e cujas pontas se estendem até às costas, formando igualmente dois nós. Dos ombros da figura, pende para trás um destaque de formato rectangular com os cantos inferiores arredondados, de tonalidade laranja com extremidade amarela, figurando uma capa que se estende até à base. Na base, situado frontalmente aos pés da figura, apresentam-se ainda, três destaques de formato elipsoidal, de tonalidade amarela, podendo figurar outra oferenda. Dimensões da Base: Comp: 5,4 Cm; Larg: 3,4 Cm.
  • Origem/Historial: Técnica: Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior espessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura. Um dos aspectos que mais caracteriza os bonecos de Estremoz, e diferencia este figurado do restante, é o facto destes nascerem nus e serem posteriormente vestidos. Um boneco de Estremoz é constituído por diversas partes que são unidas entre si. Assim, a primeira peça a ser realizada é a base, que é feita através de um pedaço de barro espalmado por intermédio de uma palmatória. A próxima tarefa consiste em fazer as pernas ou saias e seguidamente o tronco. Com uma bola de barro, e um molde, segue-se a face e depois o pescoço. Os rostos são, na maior parte dos casos, feitos por meio dum molde e colados à bola de barro que constitui a cabeça. Com a ajuda dum teque ou teco (palheta na gíria dos artesãos) modela-se o cabelo. Coloca-se o boneco na base, previamente feita e com furos no local onde este vai assentar, colando-o com barbutina ou lamugem na gíria bonequeira. De seguida, passa-se para a elaboração dos braços que é realizada através de um rolinho. Corta-se a extremidade que liga ao ombro e faz-se em seguida as mãos. Estas são feitas espalmando-se a extremidade do braço menos grossa, e depois, por intermédio de uma série de incisões com a ajuda dos já mencionados teques criam-se os dedos. Unem-se os braços ao tronco com lamugem. É altura então, de vestir os bonecos e colocar todos os adornos referentes ao modelo representado, como chailes, lenços, brincos, chapéus e um número infindável de enfeites saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990). Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco. Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento. Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto. As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
  • Incorporação: Anterior Proprietário: Ester de Matos Endereço: Estremoz

Bibliografia

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  • BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
  • CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
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  • CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
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  • LUCENA, Armando - "Os Presépios", in Arte, Usos e Costumes Portugueses, Volume 1. Lisboa
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  • MOUTINHO, Carlinda - Figuras, Bonecos e Representações de Presépios. Ponta Delgada: Museu Carlos Machado, 1984
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  • VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
  • VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
  • VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990

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