Banco de espaldar/conjunto

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 405
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1736
  • Dimensões (cm): Alt. 92 x Larg. 219 x Prof. 46
  • Descrição: Espaldar e assento de forma rectangular, estofados de estopa e revestimento de couro dito "de moscóvia", fixado por galão e pregaria fina de latão. Esta marca três lugares no espaldar, demarcando igualmente a zona na qual este dobrava sobre o assento. No espladar, o desenho do pespontado forma alvéolos, enquanto que no assento forma seis almofadas. Pernas recortadas e decoradas por folhagem de acanto e fitas enterlaçadas, ligadas inferiormente por uma travessa recortada, decorada com florões e, no remate superior, por uma travessa sobre a qual repousa o assento. Possui bilharda torneada, decorada com folhagem de acanto. O espaldar, outrora articulado, sofreu um restauro que o fixou à régua inferior, tendo-lhe sido retiradas as dobradiças, substituídas por travações verticais em madeira. C.B.
  • Origem/Historial: Os bancos de espaldar foram extremamente populares nos séculos XVII e XVIII, tendo sido usados quer pelo clero secular, quer por irmandades, misericórdias e confrarias, quer ainda pelos procuradores do povo. Os inventários do antigo Paço referem canapés e bancos de encosto, aplicando-se o primeiro vocábulo na identificação de dois tipos distintos de móvel de assento: canapés e bancos de espaldar. Em 1924, Alfredo Guimarães designa estes exemplares do Museu como bancos de igreja. No século XVIII, eram designados por bancos de espladar ou simplesmente por bancos. Segundo Guido de Monterey, a Mitra de Lamego adquiriu vários destes exemplares em 27 de Maio de 1736, provavelmente os bancos de espaldar do Museu, os quais e de acordo com as antigas fichas de inventário do Museu, terão sido executados no Porto. No início deste século os bancos de espladar encontravam-se na Casa do Cabido, tendo sido entregues à Comissão de Arrolamento na sequência da Lei da Separação. São descritos no auto de arrolamento de 3 de Agosto de 1911 como "oito bancos antigos de nogueira, esculpidos e estofados de couro, tendo cada um uma coberta de veludo antigo encarnado, agaloado a ouro. Em 1929, quatro destes bancos figuraram no Pavilhão de Portugal em Sevilha, como consta da correspondência trocada entre João Amaral, primeiro diretor do Museu e o então diretor do MNAA Dr. José de Figueiredo. Num pequeno artigo, João Amaral refere diversas despesas feitas com o transporte de bancos do Cabido por ocasião da realização de festas religiosas e de comédias, estas últimas realizadas quer no pátio do Paço Episcopal, quer na Misericórdia. Durante o Século XVII e grande parte do século XVIII, o Cabido de Lamego e os oficiais da Câmara envolveram-se numa arrastada polémica que visava o uso de cadeiras de espaldas da Sé, antiga reivindicação dos oficiais à qual o Clero de Lamego sempre se opôs. O couro dito "de moscóvia" que reveste o espaldar e o assento dos exemplares do Museu, caracterizava-se pelo padrão tipo ponta de diamante que cobria toda a superfície. Característico das peles que vinham da Rússia, célebres na época, rapidamente foi copiado e vulgarizado nos couros nacionais. C.B.
  • Incorporação: Transferência: Mitra da Sé de Lamego
  • Centro de Fabrico: Porto (?)

Bibliografia

  • ACMLMG, Autos de Arrolamento da Comissão Concelhia de Inventário (Lei da Separação), Freguesia da Sé, vol. II - Cabido: 1911
  • AMARAL, João - Os Bancos do Cabido "in" Boletim da Casa Regional da Beira-Douro, ano XIV, nº3, Março: 1965
  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Mobiliário, "in" "Roteiro do Museu de Lamego". Lisboa: Museu de Lamego/IPM, 1998
  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º 50, Inventário do Espolio do Ex.mo e Rev.mo Bispo D. Joze de Jezus Maria Pinto. Lamego: 1826
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º50, Inventário de todos os moveis da Mitra de Lamego feito por ordem do Governo de Sua Majestade. Lamego: 1860
  • MONTEREY, Guido de - Terras ao Léu. Lamego. Porto: ed. autor, 1994
  • RODRIGUES, José Júlio - O Paço Episcopal de Lamego. Porto: 1908
  • BASTOS, Celina (2014) - "Bancos de espaldar (oito)" IN BRAGA, Alexandra (coord) A Sé de Lamego no Museu [catálogo]. Lamego: Museu de Lamego e DRCN. Disponível em: http://issuu.com/066239/docs/asedelamegonomuseu_catalogo_2014-05

Exposições

  • Portugal em Sevilha. Exposição Cultural da Época dos Descobrimentos

    • Espanha, Sevilha
    • Exposição Física

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