Leito
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 511
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Mobiliário
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1645/1665
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Dimensões (cm): Alt. 159 x Larg. 145 x Prof. 215
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Descrição: Cabeceira formada por dois registos. O primeiro é constituído por um travessão plano, recortado inferiormente em arcos, separados por pares de colunelos torneados, com fuste liso e elementos torneados na base. No topo, no prolongamento dos colunelos, perfilam-se pináculos torneados (bilros). As colunas afuniladas da cabeceira, combinam vários tipos de torneado, terminando em bilros de grandes dimensões.
As pernas torneadas em balaústre, ligam-se às colunas através de peças lisas, paralelepipédicas, assentando em pés em forma de cubo (com rodízios posteriores colocados nos dianteiros).
A decoração "bronzeada" distribui-se quer pelos troços torneados, quer pela superfície lisa da cabeceira. Na travessa do remate, apresenta chapas metálicas recortadas e vazadas, compostas por enrolamentos que formam motivos cordiformes com extremidades vagamente flordelizadas, alternando com rosetas de pétalas recortadas dispostas entre querubins. A superfície entre os arcos é ornamentada por chapas metálicas igualmente recortadas e vazadas formadas por pares de volutas.
A travessa que separa os dois registos apresenta, no espaço entre os balaústres, chapas de metal recortadas e vazadas, de extremidades flordelizadas tendo ao centro uma cartela com máscara. Os pares de balaústres são marcados, por sua vez, por pequenas chapas que repetem esse motivo central, separadas por rosetas. Os balaústres apresentam uma série de anéis metálicos que marcam, quer as extremidades, quer os seus estrangulamentos ("gargantas" na documentação coeva).
CB
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Origem/Historial: Este leito, pela cabeceira de estrutura arquitetónica simples, constituída apenas por uma ordem de arcadas, parece corresponder, numa primeira análise, aos exemplares do início de seiscentos, uma vez que as cabeceiras deste tipo de leito são, nesta época, baixas, alteando-se em várias arcadas sobrepostas à medida que se avança no século. O torneado das suas colunas e balaústres, muito próximo da forma usada na 1ª metade do século XVII, na qual predominavam as secções colunares que combinavam fustes cilíndricos e cónicos, apresenta já intromissões de formas que anunciam o torneado do mobiliário português dos finais da centúria e inícios da seguinte. Este caracterizou-se pela quase total ausência de troços lisos, substituídos por uma sucessão de discos e bolachas, por vezes de formas exageradas e com fortes estrangulamentos, solução encontrada em grandes púlpitos de capelas e igrejas do norte de Portugal.
As chapas metálicas, que combinam pares de volutas com motivos flordelizados, seguem ainda um esquema geométrico que se tornará mais livre no mobiliário civil e religioso do final do Século XVII e início do seguinte, como os "rinceaux" de folhagem das chapas "rendilhadas" do armário do Museu (inv. 508). As "rosas" , como eram designados os ornatos em forma de flor típicos do norte de Portugal (Porto e, sobretudo, Braga) nos contratos dos séculos XVII e XVIII, apresentam nove pétalas, como nos balaústres executados em oficinas nortenhas para a Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra (1655). COntudo, a forma que se impôs no final do século XVII foi a de florões de oito pétalas, combinados com chapas rectangulares vazadas.
Alfredo Guimarães e Albano Sardoeira classificam este leito como um exemplar do século XVII, referindo o facto de ter sido originalmente, um móvel com dossel.
CB
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Incorporação: Dr. Vasco de Vasconcelos (Proc.1-B.1/Ofe.)
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Bibliografia
- AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
- BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
- GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924