Nª Senhora da Conceição

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AT.442
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
  • Dimensões (cm): Alt. 19,4 x Larg. 8
  • Descrição: Nª Senhora da Conceição em barro policromado, representando uma figura feminina de mãos postas. A figura assenta numa base paralelipipédica de tonalidade laranja, decorada com duas cabeças de anjo em relevo, enquadradas pelas asas e dispostos na parte frontal. Na cabeça dos anjos figuram, dois pontos negros que representam os olhos e um outro ponto de tonalidade vermelha que figura a boca. Na cabeça destaca-se, ainda, cabelo de cor castanha. As suas asas são pintadas de tonalidade amarela com linhas laranja e bordo pintado de verde. A base apresenta também, uma cobra também em relevo, circundando a figura. O animal apresenta um corpo oblongo de contorno ondulado com linhas incisas e pintado de verde, laranja e amarelo. Dos lados da base, surgem dois destaques de formato oval dobrados, de tonalidade amarela, figurando as pontas duma meia Lua. Nª Senhora da Conceição apresenta um vestido tronco-cónico. Os membros superiores apresentam-se arqueados para dentro, com as mãos postas junto ao peito. As mãos apresentam linhas incisas representando os dedos. O pescoço é de formato cilíndrico. Na cabeça figuram dois pontos negros que representam os olhos, encimados por dois traços e duas sobrancelhas de tonalidade castanha. O nariz em relevo é de formato triangular e a boca é pintada de vermelho. De cada lado da face é visível uma rosácea alaranjada. Das orelhas pendem dois destaques podendo representar brincos. A cabeça exibe, ainda, cabelo comprido de cor castanha. A figura ostenta um vestido amarelo, decorado com flores laranja e ramagens verdes e amarelas. O vestido apresenta ainda uma gola de formato rectangular e pintada de dourado. Esta cobre os ombros e é decorada com linhas incisas, figurando folhos. Nª Senhora da Conceição, apresenta-se envolta num manto que acompanha os contornos da figura, formando uma auréola em volta do tronco e levantando no rebordo sobre a saia. O manto exibe a tonalidade azul e o seu interior exibe a cor laranja. É decorado na sua extremidade com folhos de cor amarela. No lado esquerdo da figura, junto ao seu braço, encontra-se um destaque pintado de vermelho e decorada com folhos de tonalidade dourada e pregas, podendo figurar as pontas do manto. No topo da cabeça é visível um ponto inciso, podendo servir para colocar o resplendor. Dimensões da Base: Comp: 6,4 Cm; Larg: 4,4 Cm.
  • Origem/Historial: Na ficha de inventário dactilografada e no Livro de Tombo a peça tem a designação "Imagem Religiosa". No entanto, optei por utilizar a denominação "Nª Senhora da Conceição", na medida em que identifica à priori a temática da peça. Na ficha de inventário dactilografada não refere o Local de Fabrico. No Livro de Tombo refere que esta imagem é de cunho popular. Na ficha de inventário dactilografada refere que a figura tem uma patine muito antiga. Técnica: Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior espessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura. Um dos aspectos que mais caracteriza os bonecos de Estremoz, e diferencia este figurado do restante, é o facto destes nascerem nus e serem posteriormente vestidos. Um boneco de Estremoz é constituído por diversas partes que são unidas entre si. Assim, a primeira peça a ser realizada é a base, que é feita através de um pedaço de barro espalmado por intermédio de uma palmatória. A próxima tarefa consiste em fazer as pernas ou saias e seguidamente o tronco. Com uma bola de barro, e um molde, segue-se a face e depois o pescoço. Os rostos são, na maior parte dos casos, feitos por meio dum molde e colados à bola de barro que constitui a cabeça. Com a ajuda dum teque ou teco (palheta na gíria dos artesãos) modela-se o cabelo. Coloca-se o boneco na base, previamente feita e com furos no local onde este vai assentar, colando-o com barbutina ou lamugem na gíria bonequeira. De seguida, passa-se para a elaboração dos braços que é realizada através de um rolinho. Corta-se a extremidade que liga ao ombro e faz-se em seguida as mãos. Estas são feitas espalmando-se a extremidade do braço menos grossa, e depois, por intermédio de uma série de incisões com a ajuda dos já mencionados teques criam-se os dedos. Unem-se os braços ao tronco com lamugem. É altura então, de vestir os bonecos e colocar todos os adornos referentes ao modelo representado, como chailes, lenços, brincos, chapéus e um número infindável de enfeites saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990). Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco. Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento. Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto. As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
  • Incorporação: Anterior Proprietário: Rafael Rúdio

Bibliografia

  • AZINHAL, Abelho - Memória sobre os barros de Estremoz. Lisboa: Panorama, 1964
  • BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
  • CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
  • CONDE, António Fialho - "A Olaria Alfacinha e o Contributo dos Mestres", "Mestres Oleiros no Alentejo" in Mestres Artesãos do Século: artefactos do mundo por mãos portuguesas. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 2002
  • CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • FERRO, António - "Bonecos de Barro" in Vida e Arte do Povo Português. Lisboa: 1940
  • PARVAUX, Solange - La Céramique du Hault-Alentejo. Paris, Lisboa: Puf, Gulbenkian, 1968
  • PESSANHA, D. Sebastião - "Bonecos de Extremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • VERMELHO, Joaquim - "Mobilidade e Influências nos bonecos de Estremoz" in Conversas à volta da Olaria. Oficinas do Convento: Associação Cultural de Arte e Comunicação, Dezembro 1998
  • VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
  • VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
  • VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990

Multimédia

  • 6855.jpg

    Imagem